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Exército egípcio nega responsabilidade em morte de cristãos coptas

Arquivo Geral

12/10/2011 17h52

O Exército egípcio negou nesta quarta-feira ser culpado pela morte dos 25 manifestantes cristãos coptas nos distúrbios do último domingo no Cairo, e acusou membros desta minoria religiosa de incitar a violência.

“Estamos à frente de uma realidade: a polícia militar não disparou contra os manifestantes”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do Conselho Superior das Forças Armadas, Adel Emara.

O funcionário acrescentou que, no momento dos protestos dos coptas em frente à sede da radiotelevisão egípcia, “os 300 soldados que protegiam este edifício não dispunham de armas de fogo”.

 

“Quem matou os cristãos? Esta é a pergunta. Estamos buscando a resposta, mas não foram as forças armadas que os abateram”, explicou Mohammed Hegazi, outro porta-voz da Junta Militar que falou durante esta entrevista coletiva. O porta-voz afirmou que os detalhes do que realmente aconteceu só surgirão quando terminar a investigação iniciada pela justiça militar. Além disso, Hegazi confirmou que houve vítimas fatais entre os militares, embora não tenha anunciado quantos morreram “para não prejudicar a moral das Forças Armadas”.

 

O funcionário desmentiu de forma taxativa que veículos conduzidos por militares atropelaram civis, como denunciaram testemunhas e feridos nos distúrbios. Ele afirmou que se isso ocorreu os responsáveis não são do exército. “Primeiro os manifestantes atacaram com pedras os tanques e depois um civil entrou num carro e veio em nossa direção”, afirmou o porta-voz.

 

As declarações dos militares foram marcadas por certa ambiguidade. Ao mesmo tempo em que acusaram os cristãos de estimular a violência, afirmaram que grupos políticos manipularam a realização de um protesto legítimo para criar o caos. “A revolução tem seus inimigos e essas pessoas querem acabar com ela”, disse Hegazi, sem revelar quem são esses opositores.

Já Edel Emara afirmou que existem personalidades dentro do país que querem o aumento da violência para forçar uma intervenção estrangeira.

Na entrevista coletiva, os militares mostraram vídeos com a intenção de provar que os coptas são um grupo radical. Nas gravações, se vê um sacerdote copta que reivindica uma cota de 140 cadeiras para os cristãos do total de 498 que existem na Câmara Baixa egípcia. A minoria representa 10% da população do Egito.

Outras imagens mostram um grupo de manifestantes, apresentados pelos militares como ativistas coptas, cantando palavras de ordem como “somos os donos desta terra”, em referência ao fato dos cristãos terem chegado ao Egito antes dos muçulmanos.

“Todos nós sabemos que existe uma conspiração estrangeira. E alertamos para as repercussões disso para a segurança nacional egípcia”, disse Emara.

A versão dos militares se choca frontalmente com a exposta nesta quarta-feira por organizações coptas em outra entrevista coletiva, na qual pediram a renúncia do governo liderado por Essam Sharaf.

O presidente da Organização Geral dos Coptas no Egito, Sherif Doss, acusou o executivo de “ser incapaz de controlar os últimos fatos ocorridos país”, e por isso o governo perdeu a confiança de sua comunidade.

Na conferência também estiveram presentes líderes políticos de tendência liberal como o magnata Najib Sawiris, fundador do Partido dos Egípcios Livres, que criticou a violência contra os manifestantes.

“Estamos diante de um verdadeiro dilema, a situação no Egito não sustenta fatos como esses e as Forças Armadas devem assumir sua responsabilidade”, ressaltou Sawiris.

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