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Exército de Israel promete empregar ‘força sem precedentes’ na Cidade de Gaza

Exército israelense pede que moradores se desloquem para o sul enquanto a ONU acusa o país de genocídio em meio ao agravamento da crise humanitária

Redação Jornal de Brasília

19/09/2025 12h38

Foto: AFP

Foto: AFP

O Exército israelense alertou, nesta sexta-feira (19), que empregará uma “força sem precedentes” na Cidade de Gaza e exigiu que os moradores fujam para o sul, depois de anunciar o fechamento de uma rota de saída provisória aberta 48 horas antes.

Israel iniciou, na última terça-feira (16), uma grande ofensiva terrestre e aérea na maior cidade da Faixa de Gaza com o objetivo de “eliminar” o movimento islamista Hamas, cujo ataque em 7 de outubro de 2023 em território israelense desencadeou a guerra.

O porta-voz militar israelense em língua árabe, Avichay Adraee, anunciou, pelo X, que a estrada de Salah al Din está fechada para o tráfego no sentido sul.

“As Forças de Defesa de Israel continuarão atuando com uma força sem precedentes contra o Hamas e outras organizações terroristas”, escreveu o porta-voz militar.

A advertência desta sexta-feira ocorre antes de dias que se anunciam intensos na Assembleia Geral da ONU, durante a qual várias potências ocidentais, como a França e o Reino Unido, informaram que vão reconhecer o Estado palestino.

O conflito provocou uma catástrofe humanitária no território devastado, e desde que Israel anunciou o início de sua ofensiva na principal cidade de Gaza, uma longa fila de palestinos foge para o sul a pé ou em carroças puxadas por burros.

O exército israelense estima que “cerca de 480.000” palestinos já fugiram da Cidade de Gaza. Mas para muitos, a viagem é cara demais e não sabem para onde ir.

“Nossa vida virou uma sucessão de explosões e perigos”, contou por telefone à AFP Sami Baroud, do oeste da Cidade de Gaza.

“Perdemos tudo: nossas vidas, nosso futuro, nossa sensação de segurança. Como posso partir se nem sequer posso arcar com o transporte?”, perguntou este deslocado de 35 anos.

Israel anunciou na quarta-feira que permitiria a abertura de uma nova rota “temporária” para permitir que a população deixe a Cidade de Gaza através da estrada Salah al Din, mas informou que esta permaneceria aberta apenas até o meio-dia (6h00 de Brasília) desta sexta-feira.

A estrada é a principal via que corta de norte a sul a Faixa, governada pelo Hamas desde 2007.

Atualmente, a única rota possível em direção ao sul é seguir pela rua Al-Rashid, acrescentou o porta-voz militar israelense, pedindo aos moradores que “aproveitem esta oportunidade e se unam às centenas de milhares de residentes da cidade que seguiram para o sul, para a zona humanitária”.

– “Prestes a explodir” –

A ofensiva na Cidade de Gaza, apoiada pelos Estados Unidos, coincidiu com a publicação de um relatório de uma comissão independente nomeada pela ONU.

No documento, a comissão acusa Israel de cometer um “genocídio” no território palestino. O relatório responsabiliza o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outros funcionários de alto escalão. Israel rejeitou a acusação e classificou o relatório como “tendencioso e mentiroso”.

Nivin Ahmed, de 50 anos, fugiu na quinta-feira para Deir al Balah, no centro da Faixa, com sete familiares.

“Meu filho caçula chorava de cansaço. Nos revezamos para empurrar um pequeno carrinho com alguns dos nossos pertences”, descreveu, detalhando que ele e a família caminharam por “mais de 15 km”.

Mona Abdel Karim, de 36 anos, disse que não conseguiu transporte para ir ao sul. Precisou dormir com a família por duas noites no passeio marítimo de Al Rashid, à espera de um motorista.

“Sinto que estou prestes a explodir. Não podemos ir a pé: os pais do meu esposo são idosos e estão doentes, e as crianças estão fracas demais para caminhar”, contou.

A guerra teve início após o ataque de 7 de outubro de 2023, quando comandos islamistas mataram 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em fontes oficiais.

A campanha de represália israelense matou pelo menos 65.174 palestinos na Faixa de Gaza, também civis na maioria, segundo dados do Ministério da Saúde do território, considerados confiáveis pela ONU.

© Agence France-Presse

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