Quatro ex-congressistas colombianos que passaram os últimos seis anos seqüestrados foram libertados hoje pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em uma floresta do sul do país e levados à Venezuela, visit this onde foram recebidos por seus parentes.
Em suas primeiras palavras após a libertação, Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez e Jorge Eduardo Gechem Turbay agradeceram ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e à senadora colombiana Piedad Córdoba pelas gestões que lhes permitiram voltar à liberdade.
Os quatro ex-congressistas foram entregues por guerrilheiros a delegados do Governo da Venezuela e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em um local na floresta do departamento do Guaviare (no sul da Colômbia).
Em seguida foram em helicóptero ao aeroporto de Santo Domingo, no estado venezuelano de Táchira (sudeste).
As imagens exibidas pelo canal “Telesur”, com sede na Venezuela, único veículo que esteve presente na entrega, mostraram a emoção dos libertados e também seu relativo bom estado de saúde, apesar de ter passado pelo que um deles qualificou de “tortura”.
Em Santo Domingo, os quatro desceram dos helicópteros, já livres e acompanhados por Piedad Córdoba, e ali tomaram um avião que os levaria a Caracas, onde eram aguardados por seus parentes e por representantes do Governo venezuelano.
A delegação que viajou a Guaviare para recebê-los foi liderada pelo ministro do Interior venezuelano, Ramón Rodríguez Chacín.
A missão humanitária foi autorizada pelo Governo colombiano e levou menos de três horas desde que os helicópteros partiram de Santo Domingo e retornaram à cidade com os libertados.
Em comunicado divulgado hoje, as Farc agradeceram ao presidente da Venezuela e afirmaram que não voltarão a fazer libertações unilaterais de reféns enquanto o Governo da Colômbia não desmilitarizar os municípios de Pradera e Florida (Valle del Cauca, sudoeste) para dialogar sobre os demais “prisioneiros de guerra”.
“Agora deve continuar a desmilitarização de Pradera e Florida por 45 dias, com presença guerrilheira e da comunidade internacional como fiadores para pactuar com o Governo (colombiano) nesse espaço a libertação dos guerrilheiros e dos prisioneiros de guerra”, indicou a guerrilha.
O objetivo da negociação é trocar um grupo de 40 pessoas incluindo políticos, policiais e militares seqüestrados, além de três americanos, por 500 guerrilheiros presos.
As libertações de hoje seguem às de Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, que foram soltas em 10 de janeiro em uma operação muito semelhante à de hoje.
Entre os que continuam em cativeiro estão a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt e os funcionários do Pentágono americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.
O Secretariado ou comando das Farc indicou que a libertação dos quatro políticos “é a conquista da persistência humanitária e da sincera preocupação com a paz da Colômbia” do presidente Chávez e da senadora Córdoba.
O alto comissário para a Paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo, que no início da operação dialogou no aeroporto de San José do Guaviare com o ministro do Interior venezuelano, Ramon Rodríguez Chacín, agradeceu o apoio do Governo da Venezuela.
Restrepo disse que o Governo colombiano continuou trabalhando sempre “para buscar o acordo humanitário” e “não se pode ficar com os braços cruzados simplesmente esperando libertações unilaterais”, mas descartou a desmilitarização exigida pelas Farc.
O ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, também rejeitou a exigência da guerrilha e assinalou que as Farc não entregaram provas de vida de outros seqüestrados à comissão humanitária que recebeu os quatro ex-congressistas.
Santos considerou que a entrega destes quatro cativos demonstra que não é necessária a desmilitarização de um território para negociar o acordo humanitário.
O Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, está “pronto para fazer a troca, com as condições que impusemos desde o começo”, disse Santos em referência a que o governante está disposto a facilitar para isso um território de 150 quilômetros quadrados, sem estações de Polícia e, preferivelmente, sem ou com pouca população civil.
“De modo que o Governo colombiano reitera sua vontade para fazer qualquer tipo de negociação com objetivos à troca, mas as Farc têm que dar mostras de querer realmente fazer a troca”, ressaltou o ministro da Defesa.