O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, em cujo mandato ocorreram as negociações do chamado “processo de Annapolis”, afirmou nesta segunda-feira que os documentos vazados pela “Al Jazeera” são “inexatos”.
O escritório de Olmert declarou à imprensa que os papéis divulgados pela emissora de televisão, que expõem propostas supostamente feitas pelo ex-primeiro-ministro aos palestinos, incluem “muitas inexatidões”, informou o serviço de notícias israelense “Ynetnews”.
Oficiais israelenses que participam das negociações disseram que “as afirmações publicadas são falsas”, acrescenta a fonte.
Por outro lado, o escritório da hoje chefe da oposição, Tzipi Livni, que foi ministra das Relações Exteriores durante o mandato de Olmert e dirigiu a equipe negociadora israelense em 2008, assinalou que “manterá a discrição sobre as negociações, para proteger os interesses de Israel”.
O chefe negociador palestino, Saeb Erekat, também declarou na manhã desta segunda que os documentos vazados “não são fiéis à realidade” e se negou a confirmar as afirmações feitas.
“A Autoridade (Nacional) Palestina está disposta a publicar todos os documentos e arquivos relativos às negociações com Israel para esclarecer a postura palestina ao público árabe e palestino”, expressou Erekat em comunicado.
A “Al Jazeera” iniciou na noite deste domingo a difusão do denominado “WikiLeaks palestino”, que conta com 1.700 páginas de correspondência diplomática, atas de reuniões entre os negociadores, documentos de trabalho internos, e-mails, apresentações de PowerPoint e mapas, que correspondem a negociações mantidas entre 1999 e 2010.
A emissora revelou que a equipe negociadora palestina fez a Israel “propostas sem precedentes” e concessões nas questões do retorno dos refugiados palestinos e do controle de Jerusalém Oriental e da Esplanada das Mesquitas, entre outros temas.