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Ex-presidente das Filipinas elaborou ‘listas de pessoas a serem mortas’, afirma promotor do TPI

Redação Jornal de Brasília

24/02/2026 10h22

Foto: Laurens van PUTTEN / ANP / AFP

Foto: Laurens van PUTTEN / ANP / AFP

O ex-presidente filipino Rodrigo Duterte elaborou pessoalmente uma “listas de alvos” e vangloriou-se de assassinatos cometidos durante sua “guerra contra as drogas”, denunciou um promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta terça-feira (24), em Haia.

Esta terça-feira marcou o segundo dia das audiências para determinar se Duterte, que governou as Filipinas de 2016 a 2022, deve ser julgado por crimes contra a humanidade. Duterte enfrenta três acusações deste tipo.

Os promotores o acusam de envolvimento em pelo menos 76 mortes entre 2013 e 2018.

O promotor Edward Jeremy apresentou testemunhos convincentes, incluindo alegações de que uma criança foi amarrada com fita adesiva na cabeça e estrangulada até a morte.

“Como presidente, Duterte nomeou publicamente pessoas que acusou de envolvimento com o narcotráfico, e muitas acabaram sendo vítimas de sua guerra contra as drogas”, afirmou o promotor.

“A lista Duterte era uma lista de exclusão”, afirmou Jeremy, mostrando um vídeo no qual o ex-presidente declara: “sou o único responsável por tudo isso”.

O advogado do ex-presidente, Nicholas Kaufman, afirmou na segunda-feira que seu cliente “mantém firmemente sua inocência”. Acrescentou que, embora tenha recorrido a “ameaças e exageros” em seus discursos, frequentemente ordenava às autoridades que atirassem apenas em casos de legítima defesa.

Grupos de direitos humanos estimam que a campanha antidrogas de Duterte deixou dezenas de milhares de mortos, em sua maioria pessoas pobres mortas pela polícia ou grupos de autodefesa, muitas vezes sem provas que as ligassem ao tráfico.

Após quatro dias de audiências, os juízes terão 60 dias para decidir por escrito se Duterte deve ser submetido a um julgamento completo.

Ele foi preso em Manila em março de 2025 e transferido para Haia. Desde então, permanece na unidade de detenção do TPI na prisão de Scheveningen.

AFP

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