A Bolívia é talvez o único país da região “que tem a ameaça real de secessão”, visit this site afirmou o ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper, em entrevista publicada na edição de hoje do jornal boliviano “La Razón”.
“O que acontece é que a Bolívia tem condições muito próprias. Talvez seja o único país com a ameaça real de secessão, de se partir”, disse Samper, em visita a La Paz para falar da relação entre América e União Européia.
“É preciso conduzir isto com muito talento e tolerância, pois não acho que a (secessão) seja o projeto do presidente (Evo) Morales”, apontou.
Samper afirmou que sua conclusão pode estar errada, mas de fora “se vê uma forte caracterização de conflito territorial” na Bolívia.
Para o ex-presidente colombiano (1994-1998), a Bolívia oferece uma pequena amostra “dos grandes confrontos” que podem ser observados em outras partes da América Latina.
Entre eles problemas étnicos, territoriais e sociais que, segundo Samper, apontam a Bolívia como o grande exemplo do que pode acontecer na América Latina nos próximos anos.
Segundo o ex-chefe de Estado, o presidente Morales dirige o país com uma “liderança clara”, mas deveria ouvir “democraticamente as vozes da oposição”.
“Não há nada melhor que escutar para governar um país como a Bolívia”, assegurou Samper, ao expressar o desejo de que o confronto não “chegue aos níveis de violência como na Colômbia” e que sejam resolvidos na Assembléia Constituinte.
O Governo Morales tem uma disputa com organizações políticas e civis das regiões de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, quatro dos nove departamentos (estados) do país, pelas reivindicações de formar um regime autônomo.
Para Morales, essa reivindicação – verificada por um referendo feito em 2004 – aumenta o risco de uma secessão, especialmente em Santa Cruz, maior e mais rica região da Bolívia.
No entanto, a acusação foi rejeitada pelos líderes de Santa Cruz, reduto da oposição ao Governo Morales.