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Ex-marido de Betancourt agradece envio de avião e pede gestos de Farc e Uribe

Arquivo Geral

30/03/2008 0h00


O ex-marido da refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt e pai de seus dois filhos, symptoms Fabrice Delloye, agradeceu hoje à França pelo envio de um avião-hospital para a Guiana Francesa para atendê-la caso seja libertada.

Delloye também pediu às Farc e ao Governo colombiano que façam os “esforços necessários” para salvar Betancourt.

O Palácio do Eliseu confirmou hoje que, por decisão do presidente francês, Nicolas Sarkozy, um avião-hospital está “pré-posicionado” na Guiana Francesa pronto para intervir “a qualquer momento” e fornecer ajuda médica caso a refém seja libertada pela guerrilha colombiana.

Segundo informações vazadas à imprensa, um avião Falcon 900 do Exército francês ficará disponível até segunda-feira, quando uma outra aeronave semelhante e baseada na França estará pronta para intervir a qualquer momento.

Os preocupantes relatos sobre o estado de saúde de Betancourt e “as declarações sobre os possíveis acordos” para sua libertação levaram Sarkozy a decidir pelo envio do avião, informou o Palácio do Eliseu.

“Só podemos agradecer pela disponibilidade excepcional” de Sarkozy e do Governo francês, disse à Agência Efe o ex-marido de Betancourt, que também agradeceu aos esforços de outros países facilitadores, como Suíça e Espanha, para “encontrar uma solução e poder resgatar Ingrid”.

Agora é preciso que as Farc “façam os esforços necessários para que uma equipe médica possa chegar o mais próximo possível de Ingrid”, acrescentou, após lembrar que o avião francês também conta com outra equipe pronta para intervir.

“Convido às Farc” a darem “sinais de abertura e a se dirigirem” o mais rápido possível aos Governos de França, Suíça, Venezuela e, inclusive, “diretamente” ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acrescentou Delloye.

O ex-marido de Betancourt afirmou que “ninguém pode permitir” que a ex-candidata presidencial, refém das Farc desde fevereiro de 2002, morra.

A morte dela seria “o fim das Farc” e “uma verdadeira desonra para o Governo colombiano e para o próprio presidente Uribe, porque há meses ele poderia ter feito algo” e sabia que ela estava em “péssimas condições”, destacou.

Ele também acusou as autoridades colombianas de há anos estarem fazendo “tudo” para que não se consiga um acordo humanitário para a libertação dos reféns.

O ex-marido de Betancourt se declarou “extremamente pessimista” sobre o estado da refém.

A “precipitação” com a qual as autoridades colombianas disseram na semana passada que estavam dispostas a soltar guerrilheiros se as Farc libertassem os reféns faz Delloye acreditar que eles têm informações sobre as condições de Betancourt.

Diante das recentes declarações de um alto funcionário colombiano de que se Betancourt morresse seria “responsabilidade exclusiva das Farc”, o francês disse que, em vez de “tentar lavar as mãos”, o Governo deveria “ir mais longe”, mesmo que tenha que retirar forças de segurança de Pradera e Florida, como exige a guerrilha, para negociar o acordo humanitário.

“Tenho vontade de perguntar ao povo colombiano se a espantosa luta dos reféns e seu sofrimento (…) não merecem 45 dias de diálogo na zona rural de Pradera e Florida sob a proteção de observadores internacionais, de uma força internacional de paz” que não ofereceria nenhuma ameaça à população e “não daria nenhuma vantagem” à guerrilha, disse.

Delloye disse que agora é preciso “uma sucessão de milagres” para salvar Betancourt, se é que “ainda há tempo”.

Ele pede ainda que as Farc usem a “inteligência” e tudo o que tiverem em mãos para se comunicarem o mais rápido possível com os países facilitadores ou com os Governos da Colômbia ou da Venezuela para encontrarem uma solução e fazerem com que Betancourt seja atendida e libertada.


 

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