O ex-embaixador britânico em Washington, Peter Mandelson, deixará seu assento na Câmara dos Lordes na quarta-feira (4), após ser mencionado em documentos que o ligam ao falecido financista americano Jeffrey Epstein, anunciou nesta terça-feira (3) a instituição.
“O secretário do Parlamento recebeu (nesta terça-feira) uma mensagem de Lord Mandelson informando sua intenção de deixar a Câmara a partir de 4 de fevereiro”, declarou o presidente da casa, John McFall.
Pouco antes, o primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, havia considerado necessário “agir rapidamente” em relação a Mandelson, que “falhou com seu país”. Starmer ordenou ainda a preparação de uma lei para retirar o assento de Mandelson na Câmara dos Lordes, segundo seu porta-voz.
A Comissão Europeia, braço Executivo da UE, anunciou nesta terça-feira que analisará se Mandelson, ex-comissário europeu do Comércio, violou normas de conduta.
“Há normas que emanam dos tratados [fundadores da UE] e do código de conduta que os comissários, incluindo os ex-comissários, devem respeitar”, disse o porta-voz Balazs Ujvari. “Recebemos informações de que algumas dessas normas não foram respeitadas”, acrescentou em conferência de imprensa.
No domingo, Mandelson, de 72 anos, apresentou sua renúncia ao Partido Trabalhista para evitar “mais constrangimentos”.
O diplomata, destituído no ano passado do cargo de embaixador nos Estados Unidos por seus vínculos com Epstein, teria recebido pagamentos do criminoso sexual no início dos anos 2000, segundo documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
“Denúncias que considero falsas, de que ele me fez pagamentos há 20 anos, dos quais não tenho registros nem na memória, devem ser investigadas por mim”, escreveu Mandelson em uma carta.
“Enquanto faço isso, não quero causar mais constrangimentos ao Partido Trabalhista e renuncio como membro do partido”, afirmou, acrescentando sentir-se “arrependido e triste”.
Dados bancários sugerem que Epstein transferiu 75 mil dólares (391 mil reais na cotação atual) em três pagamentos para contas vinculadas a Mandelson entre 2003 e 2004.
O ex-embaixador também aparece em fotos sem data, vestindo roupas íntimas ao lado de uma mulher cujo rosto foi coberto por autoridades americanas.
AFP