O ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, que retornou de surpresa ao país no domingo após 25 anos no exílio, pediu nesta sexta-feira a reconciliação nacional, ao mesmo tempo em que expressou sua “profunda tristeza” pelas vítimas de seu regime.
Em suas primeiras declarações à imprensa após o inesperado retorno à nação caribenha, Duvalier desejou que “os sinos da reconciliação soem em cada coração” para o “renascimento do Haiti”.
“Expresso minha profunda tristeza aos compatriotas” que foram “vítimas de meu Governo”, declarou Duvalier em entrevista coletiva em sua nova residência de Montagne Noire, após deixar o hotel onde se hospedou desde domingo após seu retorno.
Na terça-feira passada, o ex-ditador ficou em liberdade após prestar depoimento na Promotoria de Porto Príncipe, mas continua sendo acusado de desvio de dinheiro durante seu mandato.
Cinco pessoas apresentaram oficialmente denúncias contra Duvalier, de 59 anos, por crimes contra a humanidade.
Na entrevista coletiva “Baby Doc”, como era conhecido, também expressou sua “simpatia” por seus partidários que, segundo ele, foram torturados após sua “saída voluntária” do país em 7 de fevereiro de 1986 para “facilitar a resolução da crise política”.
Ressaltou que “milhares” de seus seguidores foram “covardemente assassinados e suas casas e bens saqueados”.
Duvalier retornou no domingo passado de surpresa ao país de seu exílio na França, onde foi amparado após ser forçado a abandonar o país caribenho no meio de uma revolta popular contra ele.