O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, prometeu na quinta-feira (30) que o ex-mandatário Evo Morales enfrentará a Justiça, um dia após o Ministério Público ordenar sua prisão em uma investigação por supostamente liderar os recentes protestos que paralisaram o país por sete semanas.
Várias cidades bolivianas sofreram desabastecimento entre maio e junho devido às mobilizações de rua e bloqueios de rodovias contra o governo de Paz, um político de centro-direita. Manifestantes exigiam sua renúncia por não oferecer uma solução para a pior crise econômica do país em quatro décadas.
O governo denunciou uma tentativa de alterar a “ordem democrática” por parte de “narcoterroristas” e acusou o ex-mandatário socialista Morales, que governou o país entre 2006 e 2019, de tramar o plano.
Morales “vai enfrentar a Justiça porque tem que responder”, disse Paz em uma entrevista ao jornal El Deber. Ele destacou que isso acontecerá sem mortes, em referência a um possível confronto de seus partidários com as forças de segurança. “Não merece mais nenhum morto”, acrescentou.
Evo Morales, de 66 anos, está foragido desde outubro de 2024. Ele é alvo de outra ordem de captura por uma acusação, que ele nega, de tráfico de uma menor de idade, com quem teria tido uma filha quando era presidente.
Desde então, ele é protegido na região do Trópico de Cochabamba (centro) por milhares de camponeses.
Os bloqueios de rodovias prejudicaram principalmente La Paz e El Alto, com escassez de alimentos, remédios e combustíveis. Os manifestantes se dispersaram em junho, após acordos com o governo e a aplicação de um estado de exceção.
“Foi um processo calculado para que o sistema caísse (…) e alguns acreditam que com isso iriam (…) antecipar as eleições”, disse Paz.
A investigação do Ministério Público foi aberta com base em uma denúncia de “terrorismo” e “levante armado” apresentada pelo Comitê Cívico Pro Santa Cruz, uma influente organização de líderes civis e empresários. Depois, o Ministério do Governo se uniu ao caso.
“Não sou culpado de nenhum delito”, disse Morales na quinta-feira.
AFP