O presidente da Bolívia, Evo Morales, negou hoje que exista perseguição política contra o principal candidato opositor nas eleições de 6 de dezembro, Manfred Reyes Villa, e contra o empresário Branco Marinkovic, da região de Santa Cruz, tradicional reduto da oposição.
Em entrevista coletiva, Morales defendeu a recente decisão de seu Governo de distribuir terras que expropriou da família de Marinkovic em Santa Cruz a indígenas.
“O INRA (Instituto Nacional da Reforma Agrária) só está fazendo respeitar uma resolução do Tribunal Agrário. Há terras ilegalmente apropriadas sob negócios e interesses de grupos e que têm que ser recuperadas com base nas normas”, afirmou Morales.
O presidente boliviano disse acreditar que o empresário de Santa Cruz fugiu do país, mas lembrou que “tem que se submeter às citações da Procuradoria e dos juízes para prestar contas não só por posse ilegal de terras, mas por terrorismo e separatismo”.
Marinkovic liderou o movimento cívico e autonomista de Santa Cruz. O empresário é investigado por sua suposta relação com um grupo terrorista desarticulado em abril na Bolívia.
Segundo as investigações de autoridades de La Paz, os terroristas pretendiam formar milícias armadas para defender Santa Cruz de um eventual ataque do Governo central e depois promover a secessão territorial da região.
A defesa de Marinkovic acusa o Governo da Bolívia de “politizar” o caso e de estar exercendo perseguição política contra o empresário.
Morales também lembrou Manfred Reyes Villa tem que responder na Justiça por vários processos, e por isso pediu ao povo para que denuncie qualquer tentativa do ex-governador regional de Cochabamba de fugir do país.
O Executivo acusa Reyes Villa de ter causado prejuízos de mais de US$ 16 milhões ao Estado boliviano durante sua gestão à frente de Cochabamba.
Além disso, no início de novembro, um decisão judicial do tribunal distrial de Cochabamba determinou que Reyes Villa não pode sair da Bolívia e a hipoteca de 50% de seus bens.