Os líderes da zona do euro decidiram nesta sexta-feira avançar rumo a uma maior convergência e coordenação econômica para melhorar sua competitividade, mas deixaram para o mês que vem o debate sobre como fazê-lo.
A cúpula de chefes de Estado e Governo comunitários aceitou o princípio lançado por França e Alemanha para avançar nesta linha, mas evitou discutir as medidas concretas, afirmou o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, em entrevista coletiva no final da reunião.
Segundo Van Rompuy, a chanceler alemã, Angela Merkel, não fez nenhuma proposta específica.
“Não houve propostas de nenhum tipo”, ressaltou o presidente do Conselho Europeu.
Os líderes da eurozona também decidiram nesta sexta-feira realizar uma reunião extraordinária em março.
Van Rompuy e o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), José Manuel Durão Barroso, lançarão uma série de consultas com os Estados-membros para estudar em que pontos é possível conseguir acordos concretos.
Trata-se de uma questão “até certo ponto revolucionária. É um passo tão grande que não pode ser dado facilmente”, ressaltou o presidente do Conselho Europeu.
Os pontos concretos colocados previamente pela Alemanha, embora não apresentados nesta cúpula, incluem questões como a eliminação da indexação automática dos salários em função da inflação e um mínimo de harmonização do imposto de sociedades, práticas muito enraizadas na tradição econômica de vários países, como a Irlanda.
“É extremamente positivo que os Estados-membros estejam comprometidos (…) e reconheçam que é necessária uma maior convergência” econômica para conseguir aumentar o crescimento, ressaltou, por sua vez, o presidente da Comissão Europeia.
“Nosso compromisso político tem que passar para a prática”, disse Van Rompuy, quem acrescentou que até o fim de março é necessário estudar “que áreas e que elementos” são suscetíveis de ser aceitos.
Na mesma linha, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quem foi o primeiro a apoiar as ideias de Merkel já antes desta cúpula, ressaltou que os estados estão “de acordo sobre o princípio” de avançar rumo a um Governo e uma convergência econômica na zona do euro.