Aliados europeus de Kiev e enviados de alto escalão dos Estados Unidos se reuniram nesta terça-feira (6) com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em Paris, onde é esperado o anúncio de que Washington liderará o monitoramento de um cessar-fogo na Ucrânia em caso de acordo com a Rússia.
A cúpula da chamada “Coalizão de Voluntários”, que reúne os aliados de Kiev, ocorre apesar da ausência de qualquer sinal de trégua, quase quatro anos após o início do conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Os participantes devem abordar as garantias de segurança para a Ucrânia em caso de um cessar-fogo e, segundo um projeto de declaração final visto pela AFP, os Estados Unidos liderariam um “mecanismo de supervisão e verificação” do mesmo, com participação europeia.
Washington compromete-se ainda a “apoiar” uma força multinacional liderada pela Europa — mobilizada na Ucrânia após um eventual cessar-fogo — “em caso de” um novo ataque por parte da Rússia, acrescenta o rascunho, que, segundo fontes diplomáticas, ainda poderá sofrer alterações.
Representantes de 35 países, incluindo 27 chefes de Estado e de Governo, chegaram nesta terça-feira a Paris para mostrar a “convergência” entre Washington, Kiev e seus aliados europeus sobre as garantias de segurança para a Ucrânia, segundo a Presidência francesa.
A captura, no fim de semana, pelas forças americanas do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, aliado do russo Vladimir Putin, alarmou diversos países europeus e representa um novo elemento potencial de tensão transatlântica.
O presidente americano, Donald Trump, encarregou o enviado especial, Steve Witkoff, e o seu genro Jared Kushner da reunião com a coalizão, lançada no ano passado por França e Reino Unido.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu-se previamente com seu homólogo ucraniano.
Também foi anunciada a participação na coalizão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, seus homólogos espanhol, Pedro Sánchez, e a italiana, Giorgia Meloni, além do chanceler alemão, Friedrich Merz;
– “Alinhar” posições –
Alguns membros da coalizão pretendem mobilizar uma força multinacional para deter qualquer futuro ataque russo caso a guerra, iniciada com a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, termine em cessar-fogo.
No entanto, nenhum entendimento foi alcançado, já que ambos os lados permanecem em desacordo sobre uma possível divisão de território para pôr fim à guerra.
Kiev disse nos últimos dias que o pacto estava “90%” pronto, mas a Rússia, que ocupa cerca de 20% da Ucrânia, pressiona para obter o controle total da região oriental de Donbass como parte do compromisso.
A Ucrânia considera que ceder território encorajará Moscou e advertiu que não assinará um acordo de paz que não impeça a Rússia de voltar a invadi-la.
Moscou também declarou repetidamente sua oposição a qualquer presença de tropas da Otan em solo ucraniano para monitorar o fim das hostilidades.
Neste contexto, os líderes europeus evitaram condenar categoricamente a operação dos EUA que levou à captura de Maduro no fim de semana, embora tenham expressado preocupação com as implicações para o direito internacional.
Antes de partir para Paris, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que o objetivo da reunião era “fortalecer e alinhar as posições europeias e americanas” para garantir que “os russos levem a sério a questão do cessar-fogo e da paz”.
Um assessor de Macron garantiu na segunda-feira que a nova reunião seria o auge dos esforços empreendidos após a chegada de Trump à Casa Branca para evitar “que os Estados Unidos abandonem a Ucrânia”.
Para preparar o terreno, assessores de segurança de 15 países — entre eles o Reino Unido, a França e a Alemanha —, assim como representantes da Otan e da União Europeia, reuniram-se em Kiev durante o fim de semana, com Witkoff participando de forma virtual.
AFP