Com exceção da Espanha, os principais países europeus têm dado apoio político e de defesa aos esforços de Israel e dos Estados Unidos na guerra contra o Irã, visando promover uma mudança de regime. O Reino Unido, a França e a Alemanha não condenaram os ataques a Teerã, que violam o direito internacional por não contarem com autorização do Conselho de Segurança da ONU, mas justificaram a ação atribuindo ao Irã a responsabilidade pelo conflito.
Essas potências exigem que o Irã aceite condições impostas por EUA e Israel. Em declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido pediram o fim dos ‘ataques imprudentes’ do Irã e anunciaram ações ‘defensivas’ para destruir sua capacidade de lançar mísseis e drones.
O Reino Unido condenou as retaliações iranianas contra bases americanas no Oriente Médio e fornece suporte logístico de suas bases na região. A França, que promete aumentar seu estoque de ogivas nucleares enquanto condena o programa nuclear pacífico do Irã, enviou dois navios de guerra para o Oriente Médio em operações ‘defensivas’ europeias. A Alemanha afirmou compartilhar os objetivos de EUA e Israel de derrubar o governo de Teerã e se dispôs a contribuir para a recuperação econômica do país.
Portugal autorizou o uso de suas bases nos Açores pelos EUA, de forma condicionada, e cobra do Irã o fim de seu programa nuclear. A Itália não condenou a agressão ao Irã, mas criticou as retaliações de Teerã, oferecendo apoio de defesa a países do Golfo e solidariedade à população civil iraniana que enfrenta repressão.
O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que a Europa, exceto a Espanha, tomou partido na guerra a favor de EUA e Israel. Ele destacou que França, Alemanha e Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança, não convocaram reuniões na ONU, fragilizando a legalidade internacional em meio a negociações com os EUA. O especialista vê a posição europeia como uma barganha com Washington, às custas do Irã, em contexto de ameaças americanas sobre a Groenlândia e a OTAN.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã proibiu navios de EUA, Israel e países europeus de cruzarem o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio de petróleo.
Divergindo dos aliados, o governo espanhol de Pedro Sánchez criticou duramente a guerra movida por Donald Trump e Benjamin Netanyahu, invocando as lições da Guerra do Iraque, que aumentou o terrorismo, a crise migratória e os preços da energia. Sánchez enfatizou a defesa do direito internacional e da paz. Sua posição irritou Trump, que ameaçou cortar relações comerciais, mas os EUA recuaram alegando cooperação espanhola, o que Madri negou categoricamente.