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EUA tentam impedir que ataque de Israel mine conversas da paz

Arquivo Geral

03/06/2010 17h30

À espera de que mais um navio com ajuda humanitária tente chegar a Gaza, o emissário do Governo americano George Mitchell tenta impedir que o polêmico ataque israelense prejudique as negociações indiretas de paz com os palestinos.

“As conversas devem continuar apesar do ataque”, afirmou hoje Mitchell, que ontem chegou à região na tentativa de preservar a negociação da crise, criada na segunda-feira pela abordagem militar israelense à flotilha internacional que pretendia romper o bloqueio e levar ajuda humanitária a Gaza.

O enviado americano, que fez essa declaração em Belém durante uma conferência palestina, se reunirá em Jerusalém com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ontem, Mitchel se encontrou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

“As recentes dificuldades nos lembram da urgência e da importância do objetivo que nos fixamos”, ressaltou também o enviado americano ao ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, em reunião realizada esta tarde em Tel Aviv, prévia ao encontro de amanhã com Netanyahu.

Nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas quando comandos israelenses tomaram à força os seis navios da expedição humanitária que se dirigiam à Faixa de Gaza.

Segundo as autoridades israelenses, com a exceção de dois ou três gravemente feridos, os últimos 500 ativistas da flotilha que ainda estavam em Israel deixaram ontem o país em seis aviões fretados pelo Governo turco.

Fontes da Chancelaria de Israel rejeitaram as declarações da ONG muçulmana turca IHH, uma das organizadoras da frota, de que dos 38 feridos apenas 21 voltaram à Turquia, e de que ainda haveria três ativistas desaparecidos.

“Não há nenhum desaparecido”, asseguraram as fontes.

Na reunião de ontem com Abbas, Mitchell já tinha expressado que a abordagem militar israelense “reflete a importância” de continuar com as conversas indiretas de paz.

“O primeiro passo para a paz é uma completa paralisação da construção nos assentamentos (judaicos em solo palestino), incondicional, e o levantamento do assédio a Gaza e Jerusalém, a nossas cidades e povos”, assinalou Abbas.

Em meio ao ambiente tenso pelo ataque à frota, Abbas visitará Washington na semana que vem para ser reunir com o presidente americano, Barack Obama, que quer de Israel uma investigação imparcial e transparente sobre a ação contra os navios.

A investigação sobre o ataque é hoje o centro do debate político em Israel, onde o chanceler, Avigdor Lieberman, defendeu que seja feita por uma comissão pública com juristas israelenses e com, talvez, a presença de um observador internacional.

O ministro de Indústria e Comércio, Benjamin Ben-Eliezer, propõe deixá-la nas mãos da comunidade internacional, enquanto o diário “Yedioth Ahronoth” assegura que Netanyahu estuda pô-la a cargo de uma parte “amiga” e “objetiva”, como os EUA.

A última proposta seria a saída preferida por Israel para torpedear a iniciativa adotada ontem pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, que anunciou o envio de uma missão que investigue “as violações da lei internacional”.

Enquanto isso, o Governo israelense estuda como impedir que um novo barco com ajuda humanitária, o “Rachel Corrie”, alcance as costas da Faixa nos próximos dias, o que pode acrescentar tensão à região.

O porta-voz da Chancelaria de Israel, Andy David, assegurou à Agência Efe que seu país enviou mensagens através da Irlanda, que dá bandeira ao navio, para que os tripulantes “aceitem deixar a carga humanitária no porto de Ashdod”, mas lamentou que a proposta tenha sido rechaçada até agora.

O porta-voz respondia, assim, informações publicadas hoje no diário “Ha’aretz” de que é “iminente” uma “solução diplomática” ao caso do “Rachel Corrie”. O navio é carregado de simbolismo por levar o nome de uma ativista americana morta em Gaza, em 2003, por uma escavadeira militar israelense.

No entanto, Audrey Bombse, advogada do movimento Gaza Livre, que também organiza a frota, desmentiu a existência de negociações com Israel e reafirmou o objetivo original da missão: romper o bloqueio.

“Não estamos negociando com Israel, nem negociamos com Israel em nenhum momento. Se Israel quer que deixemos os inspetores da Cruz Vermelha ou das Nações Unidas entrar no navio, permitiremos. O que não vamos permitir é que a inspeção seja feita pelos israelenses, que poderiam colocar armas no navio”, assinalou à Efe por telefone.

“O navio está agora entrando em um porto da Grécia. Não podemos dizer qual, porque temos medo de que Israel o sabote, como reconheceu que sabotou outros de nossos navios”, explicou a advogada.

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