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EUA tentam convencer aliados a manter apoio no Afeganistão

Arquivo Geral

18/10/2009 1h00

O Governo dos Estados Unidos, imerso em um processo de consultas para determinar a estratégia no Afeganistão, tenta convencer seus aliados a manter seu apoio ao conflito.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, começa hoje um giro que o levará a Japão, Coreia do Sul e Eslováquia, em uma missão que tem como objetivo pedir aos aliados que continuem com suas contribuições no Afeganistão.

O Japão planejou retirar dois navios-tanques que mantém no Oceano Índico como apoio às tropas que se dirigem ao país centro-asiático.

Já o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, deve viajar ainda esta semana ao leste europeu, onde abordará a questão do Afeganistão, além de discutir na Polônia e na República Tcheca o abandono do plano de erguer nesses países um escudo antimísseis.

O próprio presidente americano, Barack Obama, que se reuniu em cinco ocasiões nas últimas semanas com seus assessores para tentar estabelecer uma nova estratégia para o conflito, abordou o assunto nos últimos dias com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Turquia, Abdullah Gul, com o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

Obama ainda precisa decidir se segue a recomendação do general no comando das tropas aliadas no Afeganistão, Stanley McChrystal, que pediu um reforço de aproximadamente 40.000 soldados para o conflito.

Atualmente, os Estados Unidos possuem cerca de 65.000 soldados no Afeganistão, seu maior contingente desde o começo do conflito, há oito anos.

A situação se complicou ainda mais devido à incerteza sobre os resultados eleitorais definitivos no Afeganistão.

Os resultados iniciais do pleito de 20 de agosto deram a vitória já no primeiro turno ao presidente afegão, Hamid Karzai, contra seu rival Abdullah Abdullah.

No entanto, as acusações generalizadas de fraude forçaram uma nova apuração, cujos resultados são esperados para os próximos dias.

Tudo indica que Karzai ficará com menos de 50% dos votos, o que forçaria um segundo turno ou a negociação para formar um Governo com Abdulah.

Um eventual segundo turno não poderia acontecer ainda este ano, devido ao rigor do inverno afegão.

O chefe de Gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, indicou hoje que Obama não tem intenção de se pronunciar sobre possíveis reforços para o Afeganistão enquanto não ficar claro qual será o próximo Governo nesse país e se ele estará disposto a colaborar com os aliados.

“Seria irresponsável tomar uma decisão sobre níveis de tropas sem uma análise exaustiva sobre a possibilidade de contarmos ou não com um parceiro afegão disposto a ocupar o espaço que seria criado pelos soldados americanos”, disse Emanuel à “CNN”.

“É necessário contar com um parceiro afegão confiável e legítimo aos olhos de seu povo”, acrescentou o chefe de Gabinete.

Segundo Emanuel, Obama deve continuar nos próximos dias seu processo de consultas com sua equipe de segurança nacional.

Já o senador John Kerry, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse à imprensa americana que “seria completamente irresponsável por parte do presidente americano se comprometer a enviar mais tropas quando nem sequer terminou o processo eleitoral”.

“Não sabemos quem será o presidente nem com que tipo de Governo vamos trabalhar”, disse Kerry, que se encontra em Cabul para uma missão que recolherá dados enquanto espera pela publicação dos resultados da apuração.

A violência não deixou de aumentar no Afeganistão e McChrystal advertiu que se não receber esses reforços, o conflito poderia ser perdido no próximo ano.

No sábado, a Otan anunciou a morte de três soldados americanos na explosão de uma bomba de fabricação caseira.

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