Os Estados Unidos se desculparam nesta quinta-feira com o Japão pelas críticas de um funcionário do Departamento de Estado aos habitantes da província de Okinawa, no sul do país, que foram chamados de “professores de manipulação e extorsão”, informou a agência local “Kyodo”.
O secretário de Estado adjunto dos EUA para a Ásia Oriental e o Pacífico, Kurt Campbell, transmitiu em Tóquio ao ministro das Relações Exteriores japonês, Takeaki Matsumoto, seu “mais profundo pesar” pelas supostas declarações do ex-responsável do Departamento de Estado dos EUA para o Japão, Kevin Maher.
Maher já foi cônsul-geral em Okinawa, onde, apesar da oposição da população local, se encontra mais da metade dos 48 mil soldados americanos desdobrados no Japão.
Em um seminário com estudantes realizado em dezembro do ano passado, Maher teria tachado de “vagabundos” e “manipuladores” os habitantes do arquipélago, segundo a agência “Kyodo”, que publicou testemunhos de pessoas que estiveram presentes ao debate.
As declarações foram recebidas com indignação em todo o Japão, especialmente, é claro, em Okinawa.
Em meio à polêmica, a embaixada dos EUA em Tóquio confirmou nesta quinta-feira que Maher foi substituído pelo veterano diplomata Rust Deming à frente do Escritório para o Japão, insistindo ainda que as supostas declarações “não refletem de forma alguma” a política de Washington.
Campbell, após desculpar-se pessoalmente e em nome do Governo americano com o ministro das Relações Exteriores japonês, assinalou que o embaixador dos EUA no Japão, John Roos, deve viajar a Okinawa para oferecer uma desculpa em nome de Washington a seus habitantes, segundo a “Kyodo”.
O porta-voz do Governo do Japão, Yukio Edano, elogiou a “rápida resposta” de Washington diante da controvérsia.
O caso também gerou protestos nesta quinta-feira em Tóquio, onde alguns grupos ultranacionalistas se manifestaram diante da embaixada dos EUA gritando palavras de ordem contra a presença militar americana no Japão.