O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, reiterou hoje que os Estados Unidos são a principal ameaça para o Irã, e recomendou não se deixar “enganar” por este país “arrogante”.
Em declarações divulgadas pela agência estatal de notícias “Irna”, o político iraniano ressaltou que “seria um grande erro acreditar que, com seus movimentos, os americanos estão mudando de postura a respeito do Irã”.
Larijani ressaltou que Washington foi uma ameaça contínua para o Irã desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979, e disse que “os cantos da sereia americanos atraíram algumas vezes diferentes Governos” iranianos.
“No entanto, a inteligente liderança do falecido imame Khomeini ou do atual líder supremo (aiatolá Ali Khamenei) sempre salvou o Irã”, argumentou, durante um ato com milicianos islâmicos Basij.
Em seguida, o chefe do Legislativo iraniano citou uma frase do fundador da República Islâmica do Irã e pediu aos Basij: “gritem todos contra os Estados Unidos e se manifestem sempre contra os EUA”.
Larijani sugeriu que as promessas de mudança de Washington são “mensagens vazias”, já que este país nem sequer pediu perdão pelas conspirações contra o Irã antes e depois da Revolução Islâmica.
“Os EUA dirigem de vez em quando à República Islâmica palavras que parecem reconciliadoras, mas sempre escondem por trás uma adaga”, afirmou.
Teerã e Washington romperam laços diplomáticos em abril de 1980, pouco depois da derrubada do último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi, e em meio ao ataque à embaixada dos Estados Unidos, onde estudantes revolucionários islâmicos retiveram 52 pessoas durante 444 dias.
Após assumir o cargo, o atual presidente americano, Barack Obama, ofereceu iniciar um novo capítulo se o regime dos aiatolás abrisse o punho.
Larijani também questionou hoje a negociação com os EUA sobre o conflito no Afeganistão, e se perguntou que benefício teve este diálogo.
“O problema do Irã não é a linguagem de Washington, mas seus atos e suas estratégias”, acrescentou o presidente do Parlamento, antes de acusar Washington de ter interferido nos assuntos do Irã durante os grandes protestos de junho contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.