O governo de Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, com destaque para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), o Fundo Verde do Clima (GCF) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, classificou a medida como um ‘gol contra colossal’. Em nota, ele destacou que os EUA foram fundamentais na criação da convenção e do Acordo de Paris, e que o retrocesso enfraquecerá a liderança global em cooperação climática e ciência. Segundo Stiell, isso resultará em prejuízos à economia, empregos e padrão de vida dos norte-americanos, com agravamento de desastres como incêndios, enchentes e secas.
A UNFCCC organiza anualmente a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), cuja última edição, a COP30, ocorreu em Belém, no Brasil, em novembro do ano passado. Stiell alertou para consequências práticas, como o encarecimento de energia, alimentos, transporte e seguros, impulsionado pelo aumento de desastres climáticos e pela volatilidade de combustíveis fósseis.
O Instituto Talanoa, organização não governamental brasileira focada em debates climáticos, vê a decisão como um recuo que enfraquece a credibilidade americana. Natalie Unterstell, presidente da entidade, observou que o regime multilateral continuará funcionando, mas o financiamento climático internacional sofrerá queda imediata. Ela enfatizou a necessidade de uma reação coletiva rápida para evitar colapso na governança global.
Em justificativa, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, criticou o GCF como uma organização radical. Ele afirmou que os EUA priorizarão fontes de energia acessíveis e confiáveis para o crescimento econômico e a redução da pobreza, considerando a participação no fundo incompatível com as metas do governo Trump.