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EUA incentivam levante curdo contra regime do Irã com envio de armas e ataques aéreos

Milícias curdas iraquianas receberam nos últimos dias armas americanas e estão preparando uma incursão em partes do Curdistão iraniano, com auxílio da CIA

Redação Jornal de Brasília

05/03/2026 11h39

bandeira eua aviao

Foto: Reprodução/ IStock

A guerra no Oriente Médio deu indicativos nos últimos dias de que pode envolver um conflito sectário dentro do Irã entre minorias reprimidas pelo regime e o governo central.

Milícias curdas iraquianas receberam nos últimos dias armas americanas e estão preparando uma incursão em partes do Curdistão iraniano, com auxílio da CIA. Em paralelo, ataques aéreos americanos e israelenses danificaram infraestrutura em áreas curdas no noroeste do Irã.

O regime iraniano respondeu com lançamento de mísseis contra os quartéis-generais das forças curdas na região autônoma do Curdistão iraquiano. Drones lançados de Teerã também tentaram atingir nesta quinta-feira, 5, um aeroporto no Azerbaijão, também na fronteira noroeste do país.

Pressão militar e apoio americano

A campanha de bombardeios conjunta entre Estados Unidos e Israel no Irã, iniciada no sábado, atingiu instalações governamentais e de segurança em todo o país, inclusive na fronteira Irã-Iraque. Autoridades americanas estão debatendo a viabilidade de uma incursão curda, à medida que os combates se intensificam, segundo fontes a par da situação.

Nesta semana, o presidente Donald Trump pediu a dois líderes curdos iraquianos, Massoud Barzani e Bafel Talabani, que permitissem a entrada de combatentes curdos iranianos baseados no Iraque no Irã, segundo dois líderes curdos iranianos e dois oficiais de segurança iraquianos.

Um dos oficiais curdos iranianos afirmou que Trump teve uma conversa telefônica separada na terça-feira para discutir o envio de tropas através da fronteira com o chefe de um desses grupos curdos, Mustafa Hijri, do Partido Democrático do Curdistão do Irã. Todos os oficiais falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto.

A Casa Branca, por enquanto, nega a intenção de enviar tropas curdas para desestabilizar o Irã. Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, afirmou que as notícias de que o presidente Trump teria concordado com qualquer plano para que os curdos iniciassem uma insurgência no Irã eram “completamente falsas”.

Qualquer esforço dos EUA para auxiliar os curdos a iniciar uma incursão no Irã seria uma reviravolta surpreendente na guerra. Se fosse grande o suficiente, a incursão poderia forçar unidades do exército iraniano a responder, permitindo que aviões americanos ou israelenses as alvejassem.

Dificuldades na ofensiva

Algumas pessoas familiarizadas com o planejamento de uma possível incursão curda no Irã, no entanto, expressaram cautela. Segundo elas, não há como uma força curda derrubar o governo iraniano ou sequer influenciar significativamente quem assumiria o poder.

A CIA forneceu apenas armas leves às forças curdas, que não possuem tanques ou armamento pesado para lançar uma invasão ou representar uma ameaça plausível ao governo teocrático em Teerã. Ex-funcionários também afirmaram que a maioria persa do Irã não receberia bem uma incursão armada curda. Estima-se que haja entre 6 e 9 milhões de curdos no país de 90 milhões de habitantes.

Desde o início da campanha conjunta de guerra entre EUA e Israel bombas e mísseis atingiram alvos no oeste do Irã, aparentemente concentrados na província do Curdistão, de acordo com uma análise do New York Times. Não está claro pelas imagens se os Estados Unidos, Israel ou ambas as forças atingiram esses alvos.

Diversos líderes curdos iranianos descreveram os ataques no oeste do Irã como parte de um esforço para apoiar uma infiltração vinda do Iraque. Os ataques atingiram instalações da Guarda Revolucionária Islâmica, delegacias de polícia e, principalmente, postos da guarda de fronteira e torres de comunicação. Os ataques também atingiram prédios administrativos civis e danificaram áreas residenciais próximas.

A campanha de bombardeios facilitaria qualquer incursão das forças curdas iranianas vindas do Iraque, reduzindo a força das tropas iranianas que poderiam tentar impedir a invasão.

Em Sanandaj, capital da província do Curdistão iraniano, os ataques destruíram instalações de segurança e prédios administrativos. Um vídeo verificado registrou uma grande explosão em um quartel-general da polícia já cercado por fumaça, e imagens posteriores mostraram o complexo destruído, incluindo uma torre de transmissão.

Repressão a minorias

Os curdos do Irã frequentemente enfrentam o peso da repressão do governo autoritário. Seus líderes políticos há muito buscam criar uma pátria nacional, seja como um Estado ou por meio de regiões federais autônomas dentro de seus países atuais.

O Irã tem nove minorias no país, que, além dos curdos e azeris, conta também com árabes, armênios, turcomenos, baluchis, e outras etnias menores. Segundo especialistas, um dos objetivos de Israel e dos americanos no conflito é enfraquecer o governo central, controlado pelos persas, e incentivar um conflito sectário no país.

Diante deste cenário, o Irã optou por atacar preventivamente o Curdistão iraquiano. “Atacamos com três mísseis os quartéis-gerais dos grupos curdos contrários à revolução no Curdistão iraquiano”, afirma um comunicado militar divulgado pela agência Irna.

Os bombardeios, que segundo um porta-voz provocaram a morte de um membro de um grupo curdo iraniano no exílio, foram precedidos por advertências das autoridades iranianas.

“Os grupos separatistas não devem imaginar que soprou um novo vento e tentar agir”, anunciou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. (Com agências internacionais)

Estadão Conteúdo.

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