Chaplin ocupava o posto quando a guerra começou, em março de 2003. Nesta terça-feira, compareceu diante da comissão independente que investiga a invasão do Iraque e assegurou que o então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, expressou a Bush sua preocupação neste sentido.
“Esta opinião foi expressada em todos os níveis, incluindo pelo primeiro-ministro em suas conversas com o presidente Bush”, disse.
Em Londres, o clima era de tensão diante da deixa para preparar o dia seguinte da invasão por parte de Washington, onde os principais responsáveis políticos assumiram que os invasores seriam recebidos com celebrações nas ruas e que a ocupação não apresentaria complicações, explicou Chaplin.
“Tentamos chamar a atenção sobre o que considerávamos uma previsão extremamente otimista”, disse Chaplin, ao assegurar que “a falta de planos era realmente grave”.
Segundo o ex-funcionário da Chancelaria do Reino Unido, existia nos meses anteriores à operação militar entre as autoridades de Washington “a crença de que não deveríamos nos preocupar tanto com o que viesse a acontecer porque tudo seria um mar de rosas”.
Chaplin, que foi nomeado embaixador em Bagdá em 2004, afirmou que inicialmente o Departamento de Estado americano organizou planos para a ocupação, mas que seu trabalho foi descartado quando a tarefa foi encomendada ao Departamento de Defesa.
Perguntado sobre se o Pentágono pediu colaboração ao Governo do Reino Unido para realizar a ocupação, respondeu: “Não fizeram muito para envolver seus próprios colegas no Governo”.
A comissão está em sua segunda semana de trabalhos.
Os depoimentos mais destacados evidenciaram que Washington e Londres sabiam de antemão que o regime de Saddam Hussein não tinha capacidade para usar armas de destruição em massa ou que a decisão de iniciar uma guerra pode ter sido tomada meses antes por Bush e Blair em reunião privada.