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O Departamento de Justiça dos EUA pediu para ter acesso a dados eleitorais dos moradores do estado de Minnesota como uma das medidas para colocar fim na crise gerada após operações do ICE.
A procuradora-geral americana, Pam Bondi, estabeleceu três exigências para atenuar o confronto com agentes federais no local. As declarações foram escritas por ela em uma carta ao governador Tim Walz (Democrata) no último sábado, pedindo uma “mudança de rumo” na situação que se desenrola.
Ela pede para que o órgão tenha acesso às informações para “confirmar que o registro de eleitores está em conformidade com a lei”. “Atender a esse pedido de bom senso garantirá melhor eleições livres e justas e aumentará a confiança no Estado de Direito”, diz, sem detalhar mais por que seria necessário a concessão.
Minnesota é um estado historicamente democrata, que rivaliza com o partido do presidente Donald Trump. De acordo com levantamento feito pelo USAFacts, nas últimas 10 eleições presidenciais, desde 1988, a região escolheu candidatos democratas. Além disso, os dois políticos que representam o território no Senado americano são do mesmo partido.
Bondi também exigiu que Minnesota revogue as políticas de cidades-santuário, que permite uma maior tolerância a imigrantes em situação irregular. Para ela, isso estaria elevando os índices de crime e de violência. “Peço que o senhor firme um acordo com o ICE que permita a remoção de estrangeiros ilegais sob custódia das prisões e cadeias de Minnesota, evitando que essas interações ocorram nas ruas.
Por último, ela solicita que a administração compartilhe informações a respeito de programas assistenciais. A gestão de Trump tem argumentado que muitos estrangeiros estão envolvidos em esquemas de fraudes ao Medicaid, aos programas do Serviço de Alimentação e Nutrição e ao Programa de Assistência Nutricional Suplementar.
“Estou confiante de que essas medidas simples ajudarão a restaurar a lei e a ordem em Minnesota e a melhorar a vida dos americanos”, disse Pam Bondi.
Representantes de Minnesota, no entanto, se recusaram a fornecer os cadastros eleitorais. O secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, escreveu nesta terça-feira (27) no X que o Departamento estava fazendo pressão para ter informações privadas como condição para acabar com a presença do ICE.
“Nós dizemos não”, afirmou o político. O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, também saiu em defesa de Minnesota e repudiou a exigência do Departamento de Justiça. “Isso não é liderança. Isso é chantagem. Não é assim que a lei funciona”, argumentou em vídeo pelas redes sociais.
MUDANÇA DE TOM
Dias após a carta, no entanto, o presidente Trump atenuou o tom contra o governador Tim Walz. Nesta segunda-feira (26), o republicano afirmou ter recebido um pedido de cooperação do democrata e que teriam chegado a um acordo sobre a redução dos policiais federais.
O prefeito de Minneapolis, palco das duas mortes causadas pelo ICE, disse que também teve uma boa conversa com o presidente. Jacob Frey anunciou ainda a saída progressiva dos funcionários da cidade americana: “E continuarei pressionando para que o restante envolvido nessa operação também se retire”.