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EUA e Venezuela fecham acordo para explorar campos de petróleo

Parceria anunciada por Washington prevê operação de 17 campos por 100 anos, em meio a críticas de grupos chavistas e questionamentos sobre os termos do negócio.

Redação Jornal de Brasília

01/09/2026 16h31

Foto: Pedro Mattey / AFP

Foto: Pedro Mattey / AFP

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (31) mais detalhes sobre o acordo com a Venezuela para a operação de campos de petróleo por meio da North American Blue Energy Partnes (Nabep), empresa privada ligada ao Pentágono. Segundo a Casa Branca, a parceria envolve 17 campos avaliados em 65 bilhões de barris, o equivalente a 21% das reservas comprovadas do país, e prevê direitos de governança, propriedade econômica e garantia de fornecimento a baixo custo por 100 anos.

De acordo com o comunicado oficial, a Nabep concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar, ao custo de produção, 20% da produção de todos os campos atuais e futuros que operar. O governo americano também teria direito de preferência na compra dos 80% restantes e poder de veto sobre a nomeação de membros do conselho da companhia. A Casa Branca afirmou ainda que a maioria do conselho deverá ser composta por cidadãos americanos e que o acordo ficará sob legislação e jurisdição dos tribunais dos EUA.

As informações divulgadas por Washington divergem das apresentadas pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que afirmou que a parceria abrangeria 25 anos. Ao justificar o entendimento, Rodríguez disse que Caracas escolheu “o caminho da diplomacia” com os EUA e que a medida permitirá recuperar a infraestrutura energética do país com US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209 bilhões em impostos em 25 anos. Segundo ela, o governo espera elevar a produção em 1,5 milhão de barris por dia.

A iniciativa foi criticada por especialistas e por grupos ligados ao chavismo, que a classificaram como neocolonial. A pesquisadora Thaís Batista, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), afirmou que as relações entre Venezuela e Estados Unidos podem ser consideradas dessa forma diante do uso da força para impor mudanças no país. Já o especialista em petróleo Francisco Rodríguez disse que as concessões de 100 anos são mais longas do que qualquer outra já concedida na Venezuela e questionou a receita fiscal anunciada pelo governo venezuelano.

A parceria também foi alvo de protestos em Caracas. No último sábado (29), a Frente Popular Antiimperialista realizou um ato contra o acordo, enquanto o Movimento Revolucionário Tupamaro divulgou nota criticando a subordinação da riqueza venezuelana a interesses estrangeiros. Em sentido oposto, o PSUV defendeu a medida como uma forma de reativar a economia do país.

A Nabep, com sede em Barbados e filiais em Caracas, Maracaibo e Lechería, disse nesta terça-feira (1) ter elevado a produção na Venezuela de 18 mil para 200 mil barris por dia após investimentos de US$ 1 bilhão, afirmando que se tornou a segunda maior produtora de petróleo do país em dois anos.

Com informações da Agência Brasil

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