Os Estados Unidos disseram hoje que o ex-presidente do Haiti Jean Bertrand Aristide deveria consultar o Governo do presidente René Préval antes de retornar ao país, ao passo que a Organização dos Estados Americanos (OEA) destacou que esta decisão cabe aos haitianos.
O ex-chefe de Estado, que se viu obrigado a deixar o Haiti em 2004 após um violento golpe de Estado, disse nesta sexta-feira que, após cinco anos de exílio na África do Sul, gostaria de voltar e ajudar na reconstrução de sua nação, devastada pelo terremoto de terça-feira.
“Estou pronto para partir hoje, amanhã ou quando tiver que ser para juntar-me ao povo haitiano, compartilhar com ele o sofrimento e ajudar na reconstrução do país”, disse Aristide à imprensa em um hotel junto ao aeroporto de Johanesburgo.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, disse hoje não ter conhecimento dos planos de Aristide, mas afirmou que, se o ex-presidente “quer ajudar, deveria consultar o Governo do Haiti e definir qual seria o papel mais indicado para ele”.
No entanto, o funcionário destacou que, em termos gerais, os EUA acham que a última coisa de que o Haiti precisa no momento é que “alguém chegue e sobrecarregue uma situação por si só tensa”.
Esta mensagem também foi transmitida pelo Governo aos membros do Congresso americano, aconselhados a não viajar para o Haiti neste momento.
Washington considera vital que todos os esforços se concentrem na assistência humanitária à nação haitiana. Para isso, é necessário que cheguem apenas as equipes e os especialistas que podem ajudar neste trabalho.
“Existem limitações significativas no aeroporto. Estamos tentando criar uma logística o mais eficiente possível, mas os aviões que aterrissam deveriam ser aqueles que fornecem capacidade e apoio significativo à operação” de assistência humanitária, destacou Crowley.
Por sua vez, OEA, por meio do secretário-geral adjunto, Albert Ramdin, afirmou a questão do retorno de Aristide é interna e diz respeito aos haitianos.
Aristide, afirmou o diplomata, “é um haitiano, e acho que todos os haitianos ao redor do mundo gostariam de estar ajudando no processo” de ajuda e reconstrução.
Portanto, “este é um assunto que tem que ser resolvido pelos haitianos”, disse Ramdin.