Uma funcionária americana de alta categoria prolongou sua estadia em Cuba para manter conversas não divulgadas até agora, nas quais foram tratados assuntos como o funcionamento da Escritório de Interesses dos EUA em Havana e as relações migratórias, admitiu hoje o Departamento de Estado americano.
Bisa Williams, subsecretária de Estado adjunta para a América Latina, permaneceu em Havana durante seis dias, após ter liderado a delegação que, em 17 de setembro, dialogou com as autoridades cubanas sobre a possibilidade de restabelecer o correio direto entre os dois países, indicaram fontes do departamento.
Até agora, o Departamento de Estado apenas tinha se referido oficialmente ao diálogo que os dois países retomaram no dia 17, em Havana, sobre o correio direto, suspenso em 1963.
As conversas, as primeiras de uma funcionária desta categoria em Cuba em seis anos, incluíam assuntos relacionados ao funcionamento do Escritório de Interesses dos EUA em Havana e sobre as relações migratórias, indicaram as fontes.
Em comunicado no dia seguinte, o Governo se mostrou satisfeito com a primeira rodada de conversas sobre este tema, ao considerar que tinham se desenvolvido positivamente, e apenas afirmou que foram discutidos temas relacionados ao transporte, qualidade e segurança do serviço postal entre os dois países.
No entanto, EUA e Cuba não só falaram do correio direto na reunião de um dia de duração, e Williams prolongou sua estadia na ilha para abordar outros assuntos de interesse para ambas as nações, como a migração.
Estados Unidos e Cuba retomaram em 14 de julho, nas Nações Unidas, suas conversas sobre migração, após estas terem sido interrompidas formalmente em 2004.
Washington e Havana retomaram, assim, conversas que foram suspensas de fato em 2003 e oficialmente um ano depois, durante o segundo mandato do presidente George W. Bush e por ordem deste.
No entanto, o Departamento de Estado tenta minimizar estas conversas, não divulgadas até agora.
“Bisa Williams liderou uma delegação a Havana para iniciar conversas sobre o possível restabelecimento do correio direto entre EUA e Cuba” que era formada por funcionários do Departamento de Estado e do Serviço Postal dos Estados Unidos, disse à Agência Efe o porta-voz para a América Latina, Charles Luoma-Overstreet.
“Durante estas conversas, os representantes dos EUA e de Cuba falaram do status atual do serviço postal entre os dois países e de vários pontos técnicos relacionados à entrega dos correios”, disse.
Williams também falou “de aspectos relacionados à operação eficaz do Escritório de Interesses em Havana e depois também de assuntos referentes às relações migratórias entre EUA e Cuba”, afirmou o porta-voz.
Luoma-Overstreet afirmou que, como costumam fazer os funcionários quando viajam ao exterior e a Cuba, Williams se reuniu com “vários funcionários do Governo de Havana e com representantes da sociedade civil, a fim de poder ter uma imagem da situação política e econômica no local”.
A Administração do presidente Barack Obama tenta, desde sua chegada à Casa Branca, melhorar as relações com Cuba.
Em abril, Obama suspendeu as restrições às viagens de parentes e envios de remessas a Cuba, o que deu espaço a uma certa abertura em relação à ilha.