Zelaya disse no sábado em carta dirigida ao presidente americano, Barack Obama, que não aceitará “nenhum acordo” para sua restituição no poder porque isso representaria “encobrir o golpe de Estado” que o derrubou em 28 de junho.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly, reiterou hoje em sua entrevista coletiva diária que os EUA estiveram comprometidos desde o início com o processo de reconciliação e com a restituição do “presidente constitucional e democraticamente eleito” em Honduras, e que a posição do país não mudou.
“Condenamos o golpe de 28 de junho. Apoiamos fortes resoluções na ONU e na OEA. Aplicamos fortes medidas, entre elas a suspensão de ajuda militar e econômica, e estivemos muito ativamente e diretamente envolvidos em uma solução negociada. Não houve uma mudança de política”, insistiu.
Segundo Kelly, Washington está em contato diário com Zelaya e o Governo de fato presidido por Roberto Micheletti por meio de seu embaixador em Tegucigalpa, Hugo Llorens, e do subsecretário de Estado adjunto para a América Latina, Craig Kelly.
“Continuamos comprometidos com a aplicação do acordo. E mantemos esta posição”, afirmou o porta-voz.
De acordo com Kelly, na medida em que os pontos do acordo sejam cumpridos, “é mais fácil para a comunidade internacional reconhecer o resultado das eleições”.
“Seguimos pedindo às partes para que apliquem o Acordo Tegucigalpa-San José”, reiterou Kelly, ao acrescentar que o pacto cria um “fundamento sólido” não somente como caminho a seguir para as eleições, mas também para uma reconciliação em Honduras.
O porta-voz reconheceu que o Departamento de Estado não deu uma resposta formal à carta de Zelaya na qual pergunta à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se a posição dos EUA mudou, mas assegurou que isso não significa que Washington esteja ignorando-o.