Os Estados Unidos acreditam que, graças à sua pressão diplomática, Cuba foi obrigada a reduzir em cerca de um terço suas missões de trabalho no exterior, informou o Departamento de Estado americano nesta quinta-feira (8).
Em seu relatório anual sobre tráfico de pessoas no mundo, o órgão dedica um capítulo especial a Cuba, considerado um dos 12 países que patrocinam diretamente esse fenômeno.
“O aumento do envolvimento diplomático dos Estados Unidos para denunciar as práticas de trabalho forçado e aplicar restrições de visto, entre outras medidas, reduziu drasticamente o número de trabalhadores vinculados ao regime e de países que recebem missões de trabalho”, afirma o relatório.
“Essas ações contribuíram para combater o esquema de tráfico de pessoas do regime cubano (…) e reduzir o número de trabalhadores vinculados ao regime cubano no exterior de 24.000, no início de 2025, para entre 15.000 e 18.000 em 2026”, uma queda entre 25% e 37,5%, respectivamente.
As “missões de trabalho” cubanas, formadas principalmente por profissionais de saúde, são uma fonte de renda para Havana, imersa em uma grave crise financeira e social.
Após a guinada à direita em diversos países da América Latina, essas missões foram canceladas, em alguns casos depois de décadas de atuação.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos denunciou, em um relatório publicado em abril deste ano, a retenção de salários, as longas jornadas de trabalho e a retirada dos passaportes de profissionais cubanos que participam dessas missões.
O relatório alertou que, em determinados casos, essas missões médicas poderiam ser equiparadas a trabalho forçado e tráfico de pessoas.
Havana respondeu que esses programas são voluntários e que os trabalhadores recebem integralmente seus salários.
Esses programas, que em países como a Venezuela deram uma contribuição fundamental aos serviços nacionais de saúde, são uma “expressão de solidariedade e cooperação”, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
AFP