Os Estados Unidos cresceram a uma taxa anualizada de 5,6% no último trimestre de 2009, três décimos menos que o cálculo preliminar, mas mesmo assim em todo o ano sua economia se contraiu, informou hoje o departamento de Comércio.
A maior economia do mundo entrou em recessão em dezembro de 2007 e após quatro trimestres consecutivos de contração voltou ao crescimento em meados de 2009.
No entanto, no ano passado teve a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) desde 1946, quando se desativou a economia de guerra, ao perder um 2,4 % de sua produção.
A despesa dos consumidores, que nos EUA representa quase 70% da atividade econômica, subiu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre de 2009, após um aumento de 2,8% nos três meses anteriores.
Um indício da cautela dos consumidores é que a taxa de economia se manteve nesse trimestre em 3,9% da renda, depois do pagamento de impostos. A renda disponível real subiu entre outubro e dezembro 1%.
A renovada disposição, mas para os padrões americanos ainda tímida, dos consumidores de gastar seus dólares contribuiu 2 pontos percentuais para o PIB do último trimestre.
Os números do departamento de Comércio mostram que, em todo 2009, a despesa dos consumidores diminuiu 0,6%.
Apesar da reativação econômica, o desemprego, que no final de 2009 estava acima de 10%, se mantiver em 9,7% da força de trabalho.
Se forem contadas as pessoas que devem se conformar com emprego de tempo parcial e as que abandonaram a busca de trabalho, o desemprego chega a 14% da população economicamente ativa.
O departamento de Trabalho informou hoje que o desemprego aumentou em 27 estados do país e só diminuiu em sete em fevereiro, o que mostra a reticência das empresas a voltar a contratar, apesar da alta de seus benefícios e a reativação econômica.
Desde o começo da recessão, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) injetou mais de um trilhão de dólares no sistema econômico e mantém a taxa básica de juros nos EUA abaixo de 0,25% para estimular a atividade e reduzir o desemprego.
Segundo a maioria dos analistas, nos últimos 12 meses – ou seja de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2010 – o PIB subiu 0,1%.
Esses mesmos analistas calculam que a taxa anualizada de crescimento do PIB está neste trimestre cerca de 2,8%.
O relatório do departamento de Comércio mostra que entre outubro e dezembro as vendas de produtos e bens de fabricação nacional subiram a um ritmo de 1,7% anual, dois décimos menos que no cálculo preliminar.
As vendas dentro do país aumentaram a uma taxa anualizada de 1,4%, um indício de que a demanda doméstica se mantém moderada, enquanto os lucros das empresas subiram 8% nesse período.
Se for comparado o número com o do último trimestre de 2008, os lucros das empresas antes do pagamento de impostos subiram 30,6%, o que mostra o maior aumento anualizado desde 1984.