O Governo dos Estados Unidos avaliou nesta segunda-feira que seria “uma tarefa complicada” para o Egito organizar e realizar de maneira imediata eleições livres e justas.
Caso o presidente egípcio, Hosni Mubarak, renunciasse agora, as eleições teriam que acontecer em um prazo de 60 dias de acordo com a Constituição, segundo afirmam os EUA.
Isto colocaria em questão se o Egito estaria preparado para organizar uma votação competitiva e aberta, levando-se em conta que no passado foram “menos que livres e imparciais”, assinalou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.
“Acho que seria uma tarefa complicada”, afirmou.
“Há muito o que se fazer para que o Egito chegue a um ponto no qual consiga realizar eleições livres e justas, seja para o Parlamento ou para Presidência”, declarou.
Crowley destacou que para o Governo dos EUA a dificuldade não se encontra na pessoa à frente do Executivo egípcio, mas no processo de transição e de negociação em si.
“O papel do presidente Mubarak nisso é uma decisão dele e dos egípcios”, assinalou.
O porta-voz considerou, no entanto, que seria possível realizar as eleições em setembro, como está previsto, mas afirmou que “depende do que ocorrerá daqui para frente”.
Para Washington, as conversas iniciadas neste fim de semana entre o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, e representantes da oposição, “não são suficientemente amplas”, já que excluem alguns grupos.
“Isso tem que ser um processo real. Temos certo sentido de urgência, não tanto quanto ao calendário, mas em relação ao processo em si”, disse Crowley.
O porta-voz não chegou a defender diretamente a permanência de Mubarak durante a transição, como fez no sábado Frank Wisner, enviado do Governo dos EUA ao Cairo para transmitir ao líder egípcio a mensagem de que não deveria se candidatar à reeleição.
Wisner, que foi embaixador no Egito entre 1986 e 1991 e tem vínculos com figuras importantes do Governo desse país, declarou que Mubarak deveria ter um papel “absolutamente decisivo” e continuar em seu posto para dirigir a mudança.
No entanto, o Governo dos EUA esclareceu posteriormente que o ex-diplomata havia falado em caráter pessoal.