O embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, doctor William Brownfield, apoiou a decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de suspender a mediação do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, nas negociações para a libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Brownfield lembrou hoje que os EUA apoiaram a mediação pedida por Uribe a Chávez e à senadora colombiana Piedad Córdoba, em agosto, para buscar um acordo com as Farc, que mantêm em seu poder 42 políticos, soldados e policiais, além de três americanos.
Entendemos e aceitamos a decisão do Governo colombiano de terminar essa parte da iniciativa, disse Brownfield sobre o fim da mediação de Chávez e da senadora Córdoba, o que despertou uma crise diplomática entre Colômbia e Venezuela.
O embaixador, que visitou os chefes da Câmara de Representantes colombiano (câmara baixa), classificou a situação dos seqüestrados das Farc como repugnante e repulsiva, e reiterou que o grupo guerrilheiro é o responsável pela vida dos reféns.
Há dois meses, o Governo dos EUA viu com bons olhos a mediação para conseguir o acordo de troca entre reféns e guerrilheiros presos. Como naquela oportunidade, os EUA apóiam a Colômbia em sua decisão de cancelar essa mediação e as razões que teve para isso, declarou o diplomata.
Brownfield chegou a Bogotá há três meses após ter sido embaixador na Venezuela, onde teve relações complicadas com o presidente Chávez.
No último dia 21, Uribe deu como encerrada a mediação que ele próprio havia pedido à Chávez e à senadora Córdoba.
A decisão, atribuída por Bogotá a um telefonema que Córdoba e Chávez fizeram a militares colombianos, despertou uma forte reação do presidente venezuelano, que criticou Uribe e anunciou o congelamento das relações com a Colômbia.
Entre os seqüestrados estão a ex-candidata à presidência colombiana Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, e os contratistas americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, declarou nesta segunda-feira que, para seu país, o fim da mediação nas negociações das Farc é um assunto soberano entre Colômbia e Venezuela.