Os Estados Unidos acusaram hoje formalmente o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, de tentar explodir na sexta-feira o avião da Northwest-Delta, informou o Departamento de Justiça.
As acusações aparecem no processo criminal que as autoridades apresentaram após recolherem nas últimas horas depoimentos do nigeriano, que assegura ter ligação com a organização terrorista Al Qaeda, o que ainda não foi confirmado.
No processo criminal apresentado hoje se explica que o FBI (polícia federal americana), responsável pela investigação, encontrou na bomba que o nigeriano levava restos de PETN (tetranitrato de pentaeritritol), também conhecido como pentrita.
Em comunicado, o procurador-geral dos EUA, Eric Holder, explicou que incidentes como o de ontem lembram que é preciso “permanecer atentos o tempo todo na luta contra o terrorismo”.
“Se esse ataque terrorista contra o avião fosse bem-sucedido, muitas pessoas teriam morrido ou ficado feridas”, disse.
Abdulmutallab, que permanece no centro médico da Universidade de Michigan, deve comparecer perante o juiz ainda hoje para o anúncio das acusações formuladas contra ele.
No processo é confirmado que o nigeriano levava junto ao corpo uma bomba, que tentou ativar misturando os produtos que levava, em pó e em líquido, com uma seringa, encontrada mais tarde em seu assento.
Para isso, segundo depoimentos de testemunhas, o suspeito se trancou no banheiro durante 20 minutos e, ao sair, se desculpou por “estar indisposto”.
Quando saiu do banheiro, levava uma manta que cobria a bomba. Após se sentar, começaram a ser ouvidas as pequenas explosões e, depois, algumas chamas.
Os depoimentos também apontam que o suspeito estava “lúcido e tranquilo o tempo todo”. Quando uma aeromoça lhe perguntou o que tinha escondido, disse diretamente que se tratava de uma bomba.
As declarações coletadas pelo FBI coincidem com os testemunhos dados pelos passageiros entrevistados pela imprensa.
Embora o nigeriano não esteja na lista da Agência de Segurança do Transporte como proibido de viajar, seu nome aparece na do Governo americano de suspeitos de terrorismo, segundo a “CNN”.