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Mundo

Estresse térmico sem precedentes afetou a Europa durante o verão

O continente que registra o aquecimento mais rápido no mundo sofreu uma série de ondas de calor durante o verão, impulsionada pelas mudanças climáticas

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 6h49

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um nível recorde de 52% do território europeu foi exposto a um intenso estresse térmico durante o verão excepcionalmente quente que atingiu o continente neste ano, informou nesta sexta-feira (2) o observatório climático da União Europeia (UE).

As ondas de calor começaram ainda na primavera, batendo recordes de temperatura e provocando dezenas de milhares de mortes adicionais.

O estresse térmico acontece quando os mecanismos naturais de resfriamento do corpo ficam sobrecarregados, provocando sintomas que vão de tonturas e dores de cabeça à falência de múltiplos órgãos ou à morte.

“Um dos aspectos mais marcantes de 2026 é que o calor se caracterizou não apenas por sua intensidade, mas também por sua extensão geográfica”, afirmou Samantha Burgess, diretora da área de clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que administra o programa Copernicus.

O verão deste ano foi o mais quente já registrado na Europa ocidental, com quatro das 10 ondas de calor mais intensas já observadas na Europa, especialmente na França, mas também no Reino Unido e na Bélgica, segundo o Copernicus.

Porém, a onda de calor de agosto de 2003 continua sendo a mais severa, um critério que mede a duração e a intensidade combinadas, ressaltou o observatório.

Além disso, em 2026 “foram registrados 17 dias em que pelo menos 60% da Europa ocidental enfrentou temperaturas superiores a 30°C, contra 11 em 2003 e sete em 2025”.

A situação expôs 52% da Europa a um estresse térmico “muito forte”, o que corresponde a uma temperatura aparente superior a 38°C, indicou o Copernicus.

Quase 80% do continente sofreu um estresse térmico “forte”, ou seja, uma temperatura aparente superior a 32°C.

Estas condições foram observadas durante um número recorde de 41 dias ao longo da estação, cinco a mais do que em 2003, ano em que foi registrada uma onda de calor histórica.

“O verão de 2026 demonstrou até que ponto o estresse térmico está se tornando cada vez mais generalizado”, acrescentou Burgess, ao destacar que esta é a principal causa de mortalidade relacionada às condições climáticas no mundo.

O verão também foi marcado por condições de seca que provocaram as menores vazões fluviais registradas desde o início das medições em 1992, segundo o Copernicus.

AFP

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