O Governo espanhol apoiou desde o início a proposta de autonomia do Saara Ocidental, segundo documentos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks publicados nesta terça-feira pelo jornal espanhol “El País”.
Rabat vem defendendo que a solução para o conflito do Saara Ocidental passa por conceder uma autonomia à antiga colônia espanhola, enquanto a Frente Polisário – que se declara representante legal do povo saarauí – insiste na realização de um plebiscito que inclua a independência entre as opções.
Segundo as mensagens trocadas entre as embaixadas dos Estados Unidos em Madri, Rabat e Paris reveladas pelo WikiLeaks, em 2006, o então ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, chegou a propor, em vez de soberania e independência, “regionalização, autonomia e autogoverno”.
“Uma solução similar à qual a Espanha deu à Catalunha” é o que propunha Moratinos, enquanto os funcionários espanhóis concordavam que a independência não era realista.
Quando finalmente, em fevereiro de 2007, o Marrocos apresentou sua proposta de autonomia para o Saara Ocidental, Moratinos não se mostrou satisfeito e pediu mais generosidade, segundo as mensagens, que mostram ainda que a diplomacia espanhola considerava que a posição excessivamente pró-Marrocos da França dificultava uma solução.
“Jacques Chirac – então presidente francês – é mais pró-Marrocos do que o rei do Marrocos”, disse o número dois das Relações Exteriores da ocasião, Bernardino León.
O Saara Ocidental foi colônia e depois província da Espanha até a retirada das últimas tropas, que terminou em fevereiro de 1976. A partir de então, vêm ocorrendo sucessivos confrontos entre o Marrocos e a Frente Polisário, que luta pela independência do território.
A ONU tenta uma saída negociada para o conflito há vários anos, mas as posturas de ambas as partes são bastante distanciadas.