Sem promessas vibrantes de coronéis nacionalistas nem de uma esquerda forte com chance eleitoral, drug treat a ausência de emoções parece ser a maior "ameaça" na campanha para a eleição no Brasil de 1o de outubro. A moderação é a marca entre os principais candidatos.
Diferentemente das eleições presidenciais realizadas recentemente na Bolívia, no Peru e no México, não há um candidato no país que assuste os investidores ou esteja buscando o difícil objetivo de levar o Estado de volta ao centro do modelo econômico.
Pelo contrário, as promessas de continuidade prevalecem e nos debates, sem grandes confrontos ideológicos, são expostas propostas de criação de emprego, combate à corrupção, aumento do crescimento econômico e o combate à violência urbana. O conjunto do modelo econômico, porém, não vem sendo questionado.
"Há debates sobre a crise de segurança, sobre as práticas de corrupção e pode haver uma campanha violenta sobre esses temas, mas não há propostas de ruptura. Nada se ganha aos gritos no Brasil", disse o analista político Luciano Dias, da consultoria Goes, em Brasília.
"Não teremos emoções como no Peru, México e Bolívia. O debate estará centrado em como fazer com que o Brasil cresça mais", disse Carlos Lopes, analista da consultoria Santa Fé Idéias.
Segundo Lopes, o Brasil, que em meados dos anos 1980 era visto como um país atrasado nas reformas em comparação a democracias mais consolidadas, fez reformas mais duradouras e incorporou valores maduros. "Os brasileiros gostam de viver com inflação baixa. Este é um valor incorporado. Outro valor é o de ser mais responsável fiscalmente. Alguém que propusesse uma grande mudança de rumo não agradaria o eleitor", disse o analista.
Até o momento, segundo as pesquisas, a grande incógnita é saber se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ou não precisar de um segundo turno para conquistar a reeleição.
Lula, do PT, cuja possibilidade de vitória antes do pleito de 2002 chegou a amedrontar os mercados, adotou no governo uma política econômica caracterizada pelo rigor fiscal e monetário.
O ex-sindicalista que chegou a ser preso durante o regime militar disse recentemente que nunca foi esquerdista, assegurou que não vai mudar sua política econômica e disse que continuará com planos sociais ambiciosos caso seja reeleito.
Seu principal adversário, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), que ganhou terreno desde que foi lançado candidato, é visto como um administrador eficiente mas sem carisma. Suas propostas tentam "melhorar" o governo de Lula, consertar as esburacadas estradas, elaborar planos de desenvolvimento regional, buscando acelerar o crescimento.
Tudo isso, porém, muito distante de propostas como as do candidato derrotado peruano Ollanta Humala, do presidente da Bolívia, Evo Morales, ou do polêmico mandatário venezuelano, Hugo Chávez. "No Brasil, o populismo não tem força para entrar no sistema partidário. Há um ambiente de normalidade econômica há mais de 10 anos e por isso há menos tentação por opções extravagantes", disse Dias.
"Isso é bom". Até mesmo a combativa senadora de esquerda Heloísa Helena, cuja crescente campanha presidencial já conta com 10 por cento das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha, rejeita a possibilidade de levar o Brasil a caminho do socialismo, rumo que Chávez diz estar dando à Venezuela.
"Não estou apresentando um programa socialista", disse a senadora, que rompeu com Lula afirmando que o presidente embarcou numa "farsa neoliberal". "Se estivesse fazendo isso, estaria sendo intelectualmente desonesta. Estou propondo a democracia".
Após a redemocratização, em 1985, o Brasil enfrentou problemas econômicos como inflação e congelamento de contas bancárias, assim como denúncias de corrupção que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. A inflação só foi controlada com o Plano Real, em 1994, que catapultou o sociólogo Fernando Henrique Cardoso à Presidência.
Desde então, o país tem avançado lentamente na tentativa de resolver os graves problemas sociais, mas quase não tem visto opções de ruptura de peso electoral. "O debate eleitoral se tornou mais racional. Existe mais consci ência de limites para que ações de governo não causem inflação", disse Carlo Pio, da consultoria Augurium.
Dias, por sua vez, considera que o sistema pol ítico do país é o que leva à moderação, pelo fato de que a aprovação de projetos do governo exigem amplos e trabalhosos acordos. "Assim como não há soluções drásticas para os problemas, tampouco há rupturas drásticas, a força da moderação é muito grande", concluiu.
O cálculo do IPCA será atualizado a partir deste mês e, order segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), treat a mudança ocorre em um momento propício porque o quadro de inflação baixa deve evitar impactos sobre o indicador.
O IBGE atualizará a cesta de itens e pesos que formam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo com base na última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), de 2002/2003. Até então, o índice era baseado na POF de 1995/1996.
O novo cálculo não vai incluir ou excluir muitos itens; as principais mudanças ocorrerão nos pesos.
Eulina Nunes dos Santos, técnica para o IPCA no instituto, avaliou que o momento é "muito favorável" à mudança.
"Parece até que a gente escolheu (a época)", afirmou. "Qualquer alteração que se faz depende muito do momento conjuntural. Agora nós estamos em um momento muito bom para fazer uma alteração."
Um exemplo vem dos preços de alimentos, que começam a subir após várias quedas. Mas, com um peso menor no IPCA reformulado, o impacto da esperada alta desse grupo deve ser sentido com menos intensidade.
"Uma mudança grande é (no peso) de alimentos. Com a produtividade agrícola aumentando muito e o Brasil produzindo cada vez mais, a relação do peso dos alimentos com a renda das famílias diminui bastante", afirmou Eulina.
O IPCA de julho será divulgado em 11 de agosto. Em junho, o índice – que baliza o sistema de metas do País – registrou deflação de 0,21%.
A avaliação periódica dos pesos ocorre até porque as pessoas estão tendo despesas novas, como mais gastos com internet, telefone celular e TV a cabo – exemplos de produtos que terão seus pesos aumentados no novo IPCA.
O IBGE e também a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), responsável pelo Índice de Preços ao Consumidor de São Paulo, almejam mudanças na POF – para que seja menor e mais freqüente, de modo a deixar os índices de inflação mais atualizados.
A recomendação internacional, segundo o IBGE, é de que seja realizada uma POF a cada cinco anos, o que nem sempre ocorre no Brasil. O IBGE e a Fipe disseram estar estudando um novo formato de POF para agilizar sua realização.
"Pensamos em uma pesquisa mais freqüente, que não precisa ser tão grande e nem tão custosa", afirmou Paulo Picchetti, coordenador de preços da Fipe.
"A idéia é fazer uma POF mais permanente, pegar menos cotações em mais períodos de tempo ao invés de muitas cotações (hábitos de consumo) em períodos concentrados de tempo."
A última POF da Fipe é de 2000. Pichhetti informou que a próxima ficará para 2007 e já poderá ocorrer em novo formato.
O IBGE pretendia fazer uma outra POF neste ano, mas está discutindo deixá-la para 2007. Segundo Eulina, a idéia de pesquisas menores e mais freqüentes também está sendo de batida no instituto.
Forças israelenses mataram cerca de cem combatentes do Hizbollah no Líbano durante os dez dias de ofensiva, medicine afirmou hoje o comandante militar do Estado judeu.
O tenente-general Dan Halutz não disse como o Exército atingiu esse número. "O Hezbollah não está revelando a verdadeira extensão de suas baixas", clinic disse Halutz em entrevista à imprensa.
Ele afirmou que pelo menos 13 guerrilheiros do Hezbollah foram mortos em intensos combates ocorridos ontem, no sul do território libanês, e que Israel recolheu os corpos dos combatentes.
Quatro soldados israelenses morreram no confronto.
"Uns 13 combatentes do Hezbollah foram mortos ontem, e agora estamos avaliando o que fazer com os corpos. Como vocês sabem, nós não negociamos corpos", disse Halutz.
O Hezbollah exige que Israel liberte prisioneiros árabes mantidos em prisões israelenses em troca da libertação dos dois soldados israelenses que o grupo capturou em uma ação na fronteira, em 12 de julho.
Israel afirma que não vai negociar com o Hezbollah.
O grupo já disparou mais de 900 foguetes em direção ao norte de Israel, matando pelo menos 15 civis israelenses. Ao todo, 19 soldados israelenses morreram durante a ofensiva.
Os telefones no escritório do comerciante libanês Kamal Osman, hospital morador de Foz do Iguaçu, dosage tocam sem parar. Ansioso, help ele recebe notícias sobre sua filha, que está prestes a dar à luz, na Síria, para onde fugiu após ver sua rua em Beirute ser bombardeada pelas forças de Israel.
Assim como Osman, dono de uma famosa loja de roupas na cidade paranaense, diversos libaneses na região seguem aflitos com seus familiares que moram ou passam férias no Líbano, principa lmente após a morte de cinco pessoas de Foz do Iguaçu, incluindo três crianças.
A cidade ao extremo oeste do Paraná tem pouco mais de 300 mil habitantes e faz fronteira com Argentina (pela cidade de Puerto Iguazú) e Paraguai (Ciudad del Leste). Nesta região, conhecida como Tríplice Fronteira , estima-se a existência de 8 mil a 15 mil libaneses, fazendo de Foz do Iguaçu a outra cidade com grande concentração da colônia árabe depois de São Paulo.
Segundo o consulado do Líbano na capital paulista, existem no país entre 8 e 10 milhões de libaneses e descendentes, fazendo do Brasil a maior colônia do mundo. A prefeitura de Foz estima que cem famílias viajavam pelo Líbano neste período.
"A gente não tem conseguido dormir. Para fazer uma ligação tem que tentar por duas horas, é muito dolorido", disse Osman em sua sala no centro da cidade, repleta de fotografias de sua família e referências árabes. Além da filha que morava em Beirute e lhe dará sua primeira neta, estão lá sua mulher, pai, mãe e cunhada.
"A raça árabe é a ralé hoje em dia. Estamos sendo perseguidos", continua. Mas, se no Líbano a relação com os judeus é complicada, o empresário explica que em Foz do Iguaçu a história é outra. "Aqui somos irmãos. Tenho afilhada judia, já tive um gerente de loja judeu e recebi muitas ligações de amigos judeus de São Paulo."
O prefeito da cidade, Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), gosta de reafirmar a diversidade étnica da região, chamando-a de "uma esquina do mundo", com 72 nacionalidades e "nenhum caso de discriminação racial", segundo ele.
Mas Ghisi confirma a perseguição aos árabes, comentando a intenção de um setor da Câmara de Representantes dos Estados Unidos de propor a Organização dos Estados Americanos (OEA) a criação de uma "força-tarefa para controlar supostos atos terroristas na Tríplice Fronteira", conforme diz uma nota de repúdio assinada pelo prefeito, que seria enviada hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"É a pecha que tentam nos imputar, de lugar de terrorismo, ano após ano", disse Ghisi. "Essa acusação mais recente, de que os árabes daqui mandam dinheiro para o Hizbollah. Olha, eles mandam de Nova York, de Paris, de Ottawa, da Califórnia. O dinheiro no mundo corre livre, isso não é motivo para intervenção."
À noite, na mesquita xiita do bairro Jardim Central, cerca de 800 muçulmanos se encontraram para participar de uma cerimônia em homenagem ao libanês naturalizado brasileiro Akil Merhei, 34, morto há uma semana na cidade ao sul do Líbano de Srifa, após sua casa ser bombardeada com sua mulher e seus dois filhos brasileiros dentro.
No dia 12 de julho, Israel lançou uma ofensiva contra o grupo guerrilheiro Hezbollah, no Líbano, que deixou sete brasileiros mortos. Os confrontos começaram depois de o grupo ter capturado dois soldados israelenses e matado outros oito.
"Estamos passando por uma tristeza muito grande", disse o comerciante Sobhi Merhei, irmão de Akil, que estava na cerimônia de ontem à noite na mesquita xiita. "Eles estavam dormindo, de madrugada, quando um ataque israelense derrubou o prédio em que eles estavam. Foram cinco mísseis, só ficou o pó, destruiu tudo."
Angustiada, a brasileira Rosemeyer Zanardine, convertida ao Islã há oito anos e casada com um libanês, disse que não esperava essa nova crise no país. "Passo o dia na frente da TV, prestando atenção para ver se surge algum nome de conhecido, de parente", afirmou ela, que estava do lado de fora da mesquita, com suas duas filhas pequenas, conversando em árabe.
Na mesquita sunita da região, mais conhecida pelos turistas por sua edificação suntuosa, cerca de 300 homens compareceram, ao lado de algumas mulheres, na tarde de hoje para rezar. Os homens se ajoelhavam em direção a Meca no grande salão redondo do primeiro piso, todo acarpetado, enquanto as mulheres, de véus, ficavam separadas no piso superior.
"A mesquita tem tido o mesmo movimento, a religião independe de guerras e situações adversas. Mas esse tem sido o assunto principal dentro da mesquita e depois das orações", explicou o xeique muçulmano Ahmad Mazloum, no Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu.
"Nós confortamos a todos e lembramos a eles que a vitória sempre será da paz e da verdade. E, enquanto eles estiverem apegados à verdade, eles jamais serão derrotados, mesmo que sejam mortos ou bombardeados", disse Mazloum, enquanto alguns turistas tiravam fotos da mesquita.
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Os corredores da escola em Foz do Iguaçu e as salas estão vazios, and à espera dos alunos, look cuja volta às aulas foi adiada para a próxima semana por causa da morte de duas crianças nos confrontos no Líbano.
Apenas um grupinho desenha em uma sala, enquanto o rádio toca uma animada música árabe. Alguns filhos de professores eram os únicos presentes ontem na Escola Libanesa Brasileira de Foz do Iguaçu.
O início das aulas foi adiado para semana que vem, em luto pelos dois alunos que morreram durante suas férias no Líbano, nos confrontos entre o Exército israelense e o grupo guerrilheiro Hezbollah.
Basel Imad Samih Termos, 7 anos, foi morto em Taloussa, a 120 quilômetros da capital libanesa, Beirute, e era aluno atual da escola. Hadi Akil Merhei, 8 anos, foi aluno em 2003 e 2004. Ele estava voltando a Foz este mês, quando junto com seu pai, mãe e irmã, de 4 anos, foram mortos na cidade de Srifa.
"Temos certeza que os alunos vão vir com a cabeça confusa", disse a diretora da escola particular, Regina Maria Andretta Venâncio. "Mais do que nunca os professores vão precisar ter calma e paciência, deixar as crianças extravasarem a ansiedade através de desenhos, esportes", disse. "Temos que canalizar a raiva, que muitos vão acabar trazendo de casa, não podemos instigar o racismo, temos que mostrar o lado positivo do ser humano", disse a professora, que recebe alunos brasileiros e libaneses de várias religiões, como os sunitas, xiitas, cristãos, evangélicos, drusos.
Com a foto de Basel na mão, ela não contém o choro ao falar dele. O administrador da escola, Ali Mohamad Kazan, também se comove e relembra com carinho o cabelo do menino, "espetado de gel".
" Lembro dele muito movimentado, sentado na carteira. Estava começando a vida dele, era esperto, inteligente", disse Kazan. "Acredito que os alunos vão sentir de fato quando voltarem às aulas, quando a carteira dele ficar vazia, a professora fizer a chamada e passar pelo nome dele."
No corredor da escola, repleta de vitrais ao estilo islâmico, um cartaz em árabe dá as boas-vindas aos alunos, que são cerca de 500. As professoras muçulmanas circulam de véus.
Além dessa escola, há outra menor na cidade, onde também se ensina o árabe aos alunos e, segundo a diretora, cerca de 20 deles foram de férias ao Líbano.
Além de sentirem a falta do menino Hadi, as crianças da cidade ao extremo oeste do Paraná, que participam do Grupo Escoteiro Líbano-Brasileiro, choraram a morte do pai dele, Akil Merhei, 34. Alegre e amigável, ele era presidente do grupo em Foz do Iguaçu, por 180 crianças de ambos os sexos.
Sete dias depois e sua morte trágica, junto com os dois filhos e a mulher, cerca de 150 escoteiros prestaram homenagem a Merhei na noite de ontem, na mesquita xiita da Sociedade Beneficente Muçulmana.
"As crianças do grupo estão sentindo muito a falta dele", disse o voluntário Mohamad Hijazi, amigo de Akil Merhei, após o culto religioso no qual compareceram cerca de 800 pessoas.
A maioria era composta de homens, falando em árabe, ao lado de algumas mulheres. Após a cerimônia, muitas pessoas choraram, inclusive crianças pequenas, enquanto cumprimentavam os familiares dos mortos. A mãe de Hadi era Ahlam Merhei, 28.
"A gente andava sempre junto. Era amigo de todo mundo, era o chefe mais alegre, que absorvia todos os problemas, sempre com um sorriso no rosto", disse Hijazi. "Está sendo difícil para as crianças."
Foz do Iguaçu tem pouco mais de 300 mil habitantes e uma grande comunidade árabe, formada especialmente por libaneses. A cidade faz parte da Tríplice Fronteira, composta também por Puerto Iguazú (Argentina) e Cidade do Leste (Paraguai), onde se estima que vivem de 8 mil a 15 mil árabes.
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