O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, assegurou hoje que a oposição à participação de Israel em manobras da Otan em solo do país foi “um desejo do povo turco”.
Perguntado hoje pela imprensa sobre a tensão que essa decisão abriu com Tel Aviv, Erdogan respondeu que “cada autoridade política deve considerar os desejos e reivindicações de seu povo”.
“Isso é o que fizemos”, asseverou o líder turco.
As manobras “Anatolian Eagle” iam ser realizadas na região turca da Anatólia entre 12 e 24 de outubro, com a participação de aeronaves dos Estados Unidos, Itália, Israel e Turquia. Finalmente, nos exercícios participam unicamente forças turcas.
Turquia decidiu cancelar a “participação internacional” nos exercícios como uma fórmula, segundo indicaram círculos diplomatas em Ancara, de acalmar aos muçulmanos e evitar ao mesmo tempo um enfrentamento diplomático com Israel.
As boas relações entre Israel e Turquia esfriaram após a operação “Chumbo Fundido” contra Gaza há dez meses, durante as que o próprio Erdogan lançou acusações e críticas duras contra Israel.
Círculos islamistas na Turquia criticaram nos últimos dias a Erdogan por permitir a participação nas manobras dos mesmos aviões que bombardearam Gaza ao início do ano.
“Dissemos aos participantes que estes exercícios não podem ser realizados neste momento. Dissemos que ou bem têm que fazer-se sem Israel ou bem adiar-se”, assinalou.
Erdogan insistiu em que “Turquia é um país forte e toma suas próprias decisões sem olhar os outros”.
Sobre a possibilidade de que Israel suspenda alguns acordos bilaterais com a Turquia, o chefe do Governo turco indicou que esses tratados “são vinculativos sob as leis internacionais” e que se são cancelados, seu país “decidirá ao respeito”.
Nos últimos anos, aviões israelenses participaram destas manobras conjuntas com a Otan sobre solo turco.
Segundo a imprensa turca, a tensão entre ambos países aumentou depois que Israel convocasse ontem à noite a consultas ao embaixador turco para protestar pela emissão na televisão pública da Turquia de um programa que, segundo Israel, “apresenta soldados israelenses como assassinos de crianças inocentes”.