Um equipamento francês de escutas que tinha sido entregue ao serviço secreto libanês permitiu descobrir no país uma rede de espiões que trabalhavam para Israel, o que gerou protestos extra-oficiais israelenses, revelou hoje o jornal “Le Figaro”.
Embora publicamente Israel não tenha levado a questão à França, o jornal francês diz que o Estado judeu sim se queixou da ajuda prestada aos libaneses.
O material francês de escutas foram mandados para as Forças de Segurança Interior do Líbano (FSI) para investigar o assassinato em 2005 do então primeiro-ministro, Rafik Hariri, mas este ano acabou sendo utilizado para desmantelar a rede de espiões que trabalhava para Israel.
Uma fonte francesa citada por “Le Figaro” disse que a operação se desenhou na primavera de 2006, depois que as FSI – vinculadas a Hariri – se queixaram de não dispor de equipes de qualidade para desmascarar aos assassinos do primeiro-ministro assassinado.
Paris deu então seu sinal verde para que empresas privadas francesas oferecessem sua tecnologia aos serviços secretos libaneses, que também foram ajudados pela CIA nesse trabalho e descobriram um grupo de indivíduos implicados na preparação do atentado contra Hariri.
Após o assassinato em janeiro de 2008 do responsável das escutas nas FSI, Wissam Eid, a organização lançou uma investigação que levou ao descobrimento do suposto grupo de espiões onde 70 estão sendo investigadas por envolvimento e outras 40 foram presas.
Um especialista militar francês negou as acusações de Israel que os serviços secretos libaneses entregaram material de escuta para o Hisbolá, embora em declarações ao “Le Figaro” reconheceu que sim entregaram “colaboradores pró-israelenses” à milícia.