A manifestação, que começou pacificamente com uma concentração em um parque de Quito, chegou até a sede do Governo, no centro histórico, e acabou dispersada pela Polícia. Estudantes chegaram a tentar invadir as instalações do Executivo.
A imprensa local destaca que o final violento da mobilização foi provocado por líderes estudantis que exigiam ser recebidos pelo presidente Rafael Correa ou pelo vice Lenin Moreno.
Antes dos distúrbios, nos quais, segundo informou a Presidência, foram lançadas garrafas e paus, milhares de universitários de diferentes regiões do país percorreram pacificamente as ruas de Quito com apitos, tambores e bandeiras.
Além de estudantes, reitores, professores e funcionários administrativos, alguns meios de comunicação ressaltaram a presença de políticos opositores ao Governo e representantes do setor empresarial.
Além dos atos em Quito, houve protestos em Guayaquil, cidade mais povoada do país, onde universitários marcharam até a sede do Governo provincial. Os estudantes foram recebidos pelo governador de Guayas, Roberto Cuero, a quem foi entregue uma lista de pedidos.
Os representantes universitários denunciaram que, durante a madrugada, autoridades impediram a saída de centenas de ônibus com estudantes e professores para Quito.
Segundo Gustavo Vega, presidente do Conselho Nacional de Educação Superior (Conesup), a mobilização universitária responde à elaboração do projeto do Governo sobre uma lei orgânica de educação superior que “menospreza, agride e vulnera a autonomia universitária e do sistema”.
Na segunda-feira passada, o Governo e alguns representantes universitários acordaram a criação de uma comissão formada por membros do Executivo, da Assembleia Nacional (Parlamento), que debate a lei, e reitores.
De acordo com Vega, a passeata de hoje “não fecha o diálogo” e, embora deseje que se “chegue a encontros saudáveis”, também especificou que os reitores têm “pontos inegociáveis” contrários ao que o Governo estabelece.
Esses pontos são a autonomia universitária, as rendas e autonomia financeira e os planos de aposentadoria dos professores, assim como o que qualificam como “inconstitucionalidades” do projeto.
O Governo afirma que, com a nova lei, se articulará o funcionamento da educação superior com o da educação média e primária, assim como com o Plano Nacional de Desenvolvimento. Com isso, se buscará melhorar a qualidade dos estudos oferecidos e dar maior importância à pesquisa.
Os opositores à lei também denunciam que o projeto foi elaborado sem a participação dos setores universitários.
No entanto, René Ramírez, que chefia a Secretaria Nacional de Desenvolvimento (Senplades), instituição que arquitetou a lei, afirmou que com os protestos se está defendendo uma representação corporativista que quer apenas manter alguns privilégios.
Segundo ele, se trabalhou com “quatro versões de lei prévias (…) com participação de mais de duas mil pessoas” e houve “cinco reuniões formais com os reitores para chegar a 42 acordos”.
Após a manifestação, os representantes universitários previam se reunir com uma comissão governamental, mas depois dos incidentes violentos ainda não houve diálogo.
No entanto, Augusto Espinosa, representante da Senplades, ratificou que o Governo está aberto ao diálogo para solucionar o impasse.