O Governo do Equador apresentou hoje aos credores privados uma proposta para recomprar, visit this site com um valor 70% menor, os bônus Global 2012 e 2030 da dívida externa, cuja contratação considera “ilegítima” e o pagamento, um encargo pesado para a economia nacional.
Simultaneamente, o Equador lançou de manhã a proposta em Quito, Nova York e Luxemburgo, concretizando o que já tinha antecipado há meses: que apresentaria uma “solução integral” ao problema da dívida externa.
O plano, estudado pelo Equador junto a assessores franceses e ingleses, oferece um preço de 29,5% por este tipo de bônus, mais uma margem de negociação de 50 pontos básicos (outro 0,5%) do valor total dos títulos, o que daria um total de US$ 0,30 por dívida.
Os credores que participem do processo terão até 15 de maio para apresentar as “contrapropostas”, e o Governo de Quito estima que no dia 26 do mesmo mês será possível anunciar uma decisão final, com a qual pretende retirar os bônus do mercado.
Com isso, o Equador também pretende estabelecer um precedente em relação ao problema da dívida externa e ao peso que os passivos representam para a economia nacional.
A dívida comercial do Equador se aproxima de US$ 3,2 bilhões, dos mais de US$ 10 bilhões do total ad dívida pública do país, mas parte desse primeiro lance ou segmento foi criticada pelo atual presidente equatoriano, Rafael Correa, por considerá-la “ilegítima”.
O líder, o qual qualificou a dívida externa como “um cabresto” que subjuga o Equador e outros países da América Latina, formou em 2008 uma comissão de especialistas para estudar os passivos internacionais.
O grupo concluiu que, em alguns lances da dívida externa, havia sérios indícios de “ilegitimidade”, porque advertiu de que tinham sido contratados ou renegociados de maneira ilegal e causado um grave prejuízo ao Estado.
Com essas prerrogativas, o Governo do Equador decidiu, em dezembro, declarar uma moratória para os bônus Global 2012 e, poucas semanas depois, fez o mesmo com os 2030.
No entanto, decidiu pagar os juros dos bônus Global 2015, os quais estariam livres de suspeitas.
Paralelamente, o Equador, assessorado pelo escritório de economistas do Grupo Lazard e pelos advogados ingleses Clifford, começou a estudar uma “solução integral” aos bônus Global considerados “ilegítimos”.
Para a ministra da Economia equatoriana, María Elsa Viteri, a proposta equatoriana busca beneficiar o país, pois tem como intenção retirar bônus que “são muito dispendiosos e que têm uma história para o país” pouco encorajadora, como afirmou o estudo sobre a auditoria do crédito público.
Viteri, que apresentou esta manhã a oferta de recompra, disse que esta tem “um valor justo”, já que o desconto de 70% estabelece o preço verdadeiro ao qual deveriam ser negociados.
A proposição, explicou a ministra, se baseia em “um leilão holandês modificado”, que inclui, em primeiro lugar, a apresentação do preço aos credores, que podem apresentar eventuais “contrapropostas”.
Viteri afirmou que a solução apresentada hoje pelo país aos credores é “justa, é uma proposta que realmente adverte da responsabilidade da República do Equador no tema”.
“É preciso entender que, nestes momentos em que a crise internacional afetou os mercados dos bônus dos países emergentes, o Equador faz uma proposta que considera justa e soberana”, afirmou a ministra.