Os Governos de Equador e Colômbia anunciaram hoje em Nova York que decidiram iniciar a partir de outubro um processo de diálogo direto para conseguir a normalização de suas relações diplomáticas.
“Os presidentes de Equador e Colômbia deram instruções às chancelarias para que a partir outubro se concretize a designação dos encarregados de negócios”, confirmou o ministro das Relações Exteriores colombiano, Jaime Bermúdez.
Já o chanceler equatoriano, Fander Falconí, explicou que os dois Governos acordaram “um documento de 11 pontos concretos para estabelecer a metodologia do diálogo”.
Este acordo aconteceu após várias reuniões de trabalho entre os chanceleres em Nova York, onde ambos assistem aos debates da 64ª Assembleia Geral da ONU.
O Governo da Colômbia reiterou seu compromisso que “não realizará unilateralmente operações militares ou de segurança em território equatoriano”, segundo um comunicado conjunto.
Enquanto o do Equador disse que “não tolerará a presença de grupos armados irregulares em seu território e que qualquer incursão armada será repelida, de ser necessário inclusive pela força”.
Explicaram em entrevista coletiva que recorrerão à mediação do Centro Carter e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para os temas “mais sensíveis”.
Para isso, se conformarão no prazo de quinze dias, comissões de trabalho que se ocuparão de solucionar assuntos colocados por ambas partes sobre segurança e controle da criminalidade, desenvolvimento fronteiriço e outras considerações sensíveis, assinala o comunicado.
Além disso, ambos Governos se comprometeram a reativar a Comissão Binacional de Frontera e ampliar os mecanismos de cooperação e comunicação entre as autoridades civis, militares e policial.
Por sua vez, o Governo da Colômbia se compromete a realizar todos os esforços necessários “para manter sua presença efetiva na zona da fronteira comum”, segundo disseram os ministros.
Os assuntos judiciais em trâmite entre ambos países perante os organismos internacionais competentes, não serão objeto de discussão neste processo de diálogo, segundo acordaram os chanceleres.
Colômbia e Equador romperam suas relações diplomáticas em março de 2008 por causa de um ataque do Exército colombiano contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, no qual faleceram 25 pessoas, entre elas o chefe guerrilheiro conhecido como “Raúl Reyes”.
Equador considerou o ataque uma violação a sua soberania nacional.