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Equador assume a Presidência da Unasul com o desafio de acalmar os ânimos

Arquivo Geral

07/08/2009 0h00

O Equador assume nesta segunda-feira em Quito a Presidência temporária da União de Nações Sul-americanas (Unasul) com o desafio de atenuar as tensões internas na região, principalmente as do próprio Equador e da Venezuela com a Colômbia.

Em declarações à Agência Efe, o diretor do Centro de Pesquisas Econômicas do Colégio de Economistas da província (estado) equatoriana de Pichincha, Eduardo Santos, certamente não existe “melhor clima para fortalecer a integração da América do Sul”.

No entanto, “como todo desafio e dificuldade, também é uma oportunidade” que poderia obrigar o Equador “a ter uma atitude mais perceptiva das enormes dificuldades que existem”, opinou.

Em Quito, o Equador substitui o Chile na Presidência temporária da Unasul depois de cortar as relações diplomáticas com a Colômbia em março de 2008, quando militares colombianos atacaram uma base das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em solo equatoriano.

Além disso, a Venezuela “congelou” as relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia em resposta à denúncia colombiana da descoberta de lança-foguetes de procedência venezuelana em poder das Farc e em rejeição a um acordo que pode vir a permitir que militares americanos façam uso de sete bases na Colômbia.

O assunto das bases – a Venezuela considera que seu uso pelos Estados Unidos constitui um potencial perigo de guerra na região – causou preocupação em outros Governos sul-americanos.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, terminou ontem uma viagem pela América do Sul na qual explicou o possível acordo a diversos governantes e, da maioria deles, ouviu de volta que haverá respeito quanto a uma decisão “soberana” da Colômbia.

Do Governo de Uribe, que não estará presente à cúpula de Quito, há temor pelo fato de um país que não resolveu seus problemas com outro membro de Unasul assumir a Presidência do organismo.

Para Santos, ao assumir a Unasul, o Equador terá pela frente “um duplo teste para que, sem desconhecer as dificuldades, os problemas e atropelos, demonstre sabedoria para conseguir soluções e não para ampliar problemas”.

O pesquisador disse que o Equador deve criar condições de confiança e diálogo e avaliar as vantagens da integração da América do Sul, pois sua unidade “pode afetar o poder mundial no futuro”.

Entre as principais dificuldades para tanto, Santos citou a ruptura de relações entre os países e a “ideologização do processo de integração”.

O ex-ministro das Relações Exteriores equatoriano Antonio Parra Gil opina que “confrontações desnecessárias com declarações retóricas, ineficazes e ofensivas devem ser superadas para seguir o caminho da racionalidade, considerando a realidade política, social e econômica de nossos países”.

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Héctor Lacognata, disse que “a Unasul é um espaço muito importante, privilegiado e multilateral para buscar uma solução” para os problemas entre Colômbia, Venezuela e Equador.

Lacognata afirmou confiar “em que os Governos escolherão a lógica do diálogo em lugar do confronto” ao dizer que “o Paraguai está disposto a fazer o maior dos esforços para aproximar posições”.

Para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, o “império ianque” quer “matar a Unasul ao nascer” e acusou a Colômbia de “se prestar” a essa situação.

Em referência ao temor de um eventual desaparecimento da Unasul expressado pelo vice-presidente colombiano, Francisco Santos, o ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, falou que isso “é um preconceito, uma pretensão da Colômbia”, que segundo ele “nunca se sentiu confortável dentro da Unasul”.

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