O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, assegurou hoje que a decisão sobre a nova estratégia no Afeganistão, que inclui a possibilidade de enviar mais soldados americanos ao país, será uma das mais difíceis desta Administração, e que vai levar tempo.
Gates, que falou na reunião anual de uma associação das Forças Armadas dos EUA, ressaltou que a decisão estudada sobre aumentar o número de tropas é vital e, por isso, afirmou que “é importante que tomemos o tempo necessário para fazer o correto”.
O secretário de Defesa lembrou a “preocupante trajetória” dos fatos no Afeganistão nos últimos meses, onde a violência aumentou 60% em comparação com o ano passado.
A decisão que for tomada pelo presidente americano, Barack Obama, sobre o passo seguinte a ser dado no Afeganistão “vai estar entre as mais importantes de sua Presidência”, ressaltou o secretário, que acrescentou que seu departamento a acatará e a executará “rigorosamente”.
Gates fez um pedido de prudência aos conselheiros de Obama, um dia depois que seu assessor de Segurança Nacional, James Jones, insinuou em uma entrevista que não são necessárias mais tropas, ao contrário do que pede o comandante das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, general Stanley McChrystal.
“Neste processo, é imprescindível que todos os que fazem parte das deliberações – civis e militares – deem sua melhor assessoria ao presidente, com franqueza”, disse Gates.
Jones afirmou que houve melhoras sobre a presença da organização terrorista Al Qaeda no Afeganistão e considera que, apesar do aumento da violência, o país não está em “perigo iminente” de ser dominado novamente pelos talibãs.
No entanto, o general McChrystal reiterou que sem o envio de mais tropas, os EUA e seus aliados poderiam ser derrotados, e pediu entre 30 mil e 40 mil soldados a mais, que se somariam aos atuais 68 mil.