O enviado especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, disse hoje, em Seul, que teve “amplas” conversas durante sua estadia de três dias em Pyongyang, mas não se reuniu com o líder norte-coreano, Kim Jong-il.
Em entrevista coletiva em Seul, Bosworth disse que a Coreia do Norte e os Estados Unidos compartilham “um entendimento comum” que é necessário à retomada das negociações multilaterais para a desnuclearização norte-coreana, paralisadas há um ano, mas não foi definida nenhuma data concreta.
Bosworth retornou hoje de uma viagem de três dias a Pyongyang que buscava conseguir que a Coreia do Norte retorne às negociações multilaterais, das quais participam as duas Coreias, Japão, Rússia, China e EUA.
Para o enviado especial, “é importante” retornar ao ponto estabelecido na declaração conjunta de 2005 das negociações multilaterais, quando a Coreia do Norte se comprometeu a “desmantelar todos seus arsenais nucleares e a abandonar todos seus programas nucleares”.
Bosworth informou que transmitiu às autoridades norte-coreanas que os EUA seguem comprometidos com a “aplicação total” dessa declaração, e pediu que retomassem o processo de negociação “o mais rápido possível”.
Pyongyang “concorda com a importância do diálogo a seis lados e com a necessidade de continuar a aplicação da declaração” de 2005, ressaltou, antes de insistir em que o regime norte-coreano reafirmou “a importância central” daquele compromisso.
Segundo Bosworth, as conversas de Pyongyang foram “úteis”, mas não foram definidos futuros encontros semelhantes nem data para a retomada do diálogo a seis.
O enviado americano explicará agora o conteúdo de seus encontros em Pyongyang aos outros participantes do diálogo, em uma viagem que o levará nos próximos dias à China, Japão e Rússia.
Na capital norte-coreana, Bosworth disse que não se reuniu com Kim, pois não tinha solicitado esse encontro, nem transmitiu às autoridades norte-coreanas uma carta do presidente americano, Barack Obama, pois, “de fato, a mensagem sou eu”.
Também disse que não foram discutidos nas conversas “detalhes” sobre o programa de enriquecimento de urânio de Pyongyang.
“Quando retomarmos as negociações, este será um ponto importante na agenda”, disse o diplomata.
Também se referiu ao pedido da Coreia do Norte de substituir o armistício com o qual concluiu a Guerra da Coreia (1950-1953) por um tratado de paz, antes de retomar as conversas.
“Discutimos todos os elementos da declaração de setembro de 2005. Nela, está refletido o compromisso de todas as partes para substituir o armistício”, disse.
“Após retomarmos o processo de negociações a seis lados e darmos impulso à desnuclearização, espero que todos estejam preparados para discutir a negociação de um regime de paz para a república norte-coreana”, acrescentou Bosworth.