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Enviado americano pede diálogo e fim do estado de exceção no Paquistão

Arquivo Geral

18/11/2007 0h00


Um dia após se reunir com o presidente paquistanês, page Pervez Musharraf, no rx o enviado dos Estados Unidos, John Negroponte, assegurou hoje, antes de deixar o país, que o general deve pôr fim ao estado de exceção, garantir eleições livres e retomar o diálogo com a ex-premier Benazir Bhutto.

“Não achamos que as medidas de exceção sejam compatíveis com o tipo de ambiente necessário para realizar eleições justas e livres”, disse o subsecretário do Departamento de Estado americano em entrevista coletiva.

Negroponte é o funcionário de maior categoria que visita o Paquistão desde 3 de novembro, data na qual Musharraf declarou o estado de exceção, justificada pela deterioração da ordem e pela interferência da Justiça no trabalho de governo.

Após chegar ao Paquistão e conversar este sábado com o presidente paquistanês, Negroponte assegurou que o país precisa acabar com as restrições aos meios de comunicação e pediu a libertação dos opositores políticos.

O diplomata reafirmou o apoio americano ao general, mas assegurou que os paquistaneses “merecem uma oportunidade para escolher seus líderes sem as restrições próprias de um estado de exceção”.

“O presidente Musharraf foi e continua sendo uma forte voz contra o extremismo. Valorizamos nossa aliança com o Governo do Paquistão sob a liderança do general”, disse Negroponte.

Musharraf, que chegou ao poder após um golpe de estado em 1999, assegurou que as eleições legislativas serão realizadas antes de 9 de janeiro e que está disposto a abandonar o comando do Exército antes do fim do mês.

O presidente paquistanês, no entanto, não estabeleceu uma data para o fim do estado de exceção, apesar da pressão dos Estados Unidos, e se limitou a dizer que este continuará vigente até que melhore a situação de segurança.

Para Negroponte, a situação no Paquistão se “polarizou” esta semana, em referência à prisão domiciliar de quatro dias da opositora e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. “A moderação é o melhor caminho”, assegurou o diplomata.

Essa moderação, para os Estados Unidos, implica que Bhutto e Musharraf retomem o diálogo para uma repartição do poder como a que culminou com o retorno da opositora ao país após nove anos fuga da Justiça.

Bhutto voltou depois que Musharraf retirou as acusações de corrupção contra ela, mas sua posição crítica perante o estado de exceção e os repetidos pedidos de renúncia contra Musharraf poderiam custar uma reabertura desses casos, segundo o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, em entrevista ao jornal britânico The Sunday Times.

“Não me importam os casos. O que importa é o futuro do meu país. Caso os tribunais queiram retomá-los, que façam isso”, disse Bhutto de Karachi, no sul do Paquistão.

O diálogo entre Bhutto, que pede a renúncia do presidente, e o próprio Musharraf, que acusou a ex-primeira-ministra de praticar “uma política agitadora”, passa por maus momentos, apesar das tentativas dos Estados Unidos para retomá-lo.

“Bhutto está dando a impressão de que tem certeza da sua derrota nas eleições”, disse Musharraf a uma congregação de deputados regionais da Assembléia de Punjab.

“Os políticos, entre eles Bhutto, que andam perseguindo essa política de agitação, deveriam se concentrar nas eleições para que sejam realizadas em uma atmosfera pacífica”, acrescentou.

Negroponte qualificou hoje como “muito positivo” o fato de que ambas as partes possam dar passos para uma reconciliação, embora o funcionário americano acredite que a “atmosfera pacífica eleitoral” proposta por Musharraf deve ser conseguida com o fim do estado de exceção.

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