Cansado da falta de combustível derivado do petróleo, o engenheiro eletrônico Wassim al-Jozendar modificou seu Peugeot 106 para que funcione com baterias.
O combustível está em falta em Gaza por causa do cerco israelense à Faixa iniciado em junho passado, quando o movimento islâmico Hamas tomou a região à força e expulsou as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas.
Em outubro passado, Israel aprovou a redução parcial de seu fluxo de combustível derivado de petróleo e eletricidade à Gaza, após declarar a área “território inimigo”, o que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, completou dizendo: “Por mim, todos os moradores de Gaza podem andar a pé”.
Os motoristas de veículos a diesel começaram então a encher seus depósitos de óleo usado de cozinha, enquanto os proprietários de carros à gasolina recorreram ao gás doméstico como substitutivo.
Agora, alguns pedestres são obrigados a usar máscaras para evitar o mau cheiro predominante nas ruas.
Jozendar sabe que seu carro é um caso excepcional e que não resolve o problema, mas se propõe a “desenvolver o projeto” com seu colega Fayez Annan.
Transformar um carro em elétrico custa cerca US$ 2.500 e “não prejudica a atmosfera, como o óleo de cozinha”, explica Wassim.
É necessário apenas instalar um número de baterias que varia em função do tamanho do veículo, perto do lugar do motorista, conta.
“Descobrimos que se as baterias foram carregadas durante sete horas, o carro pode percorrer 180 quilômetros a uma velocidade de 100 km/h”, ilustra a um grupo de curiosos que se aproxima de seu inovador carro branco que circula sem poluir há duas semanas.
Wassim empregou tanto seus conhecimentos acadêmicos quanto os adquiridos na loja de eletrônica na qual trabalha para adaptar o carro às novas circunstâncias.
Uma situação que mantém 90% dos veículos da faixa estacionados à espera de dias melhores.
As universidades da Cidade de Gaza fecharam suas portas devido às sérias dificuldades de professores e alunos de chegarem às aulas, e muitas ambulâncias já não saem da garagem.
Vê-se pelas ruas apenas alguns pedestres e os caros táxis, cujos motoristas conseguiram um pouco de gasolina no mercado negro, com certeza a preços altíssimos.
Os carros da Polícia do Hamas começaram de fato a distribuir combustível a quem precisa para evitar a paralisação total da Cidade de Gaza, onde mora metade dos 1,5 milhão de habitantes da Faixa.
Por isso, Wassim trabalha “para testar em veículos grandes e caminhões esta experiência que agora é aplicada em carros pequenos”.
A lógica, diz Fayez Annan, é que a minúscula e superpovoada Gaza não precisa de carros velozes.
“Por isso, estamos determinados a alcançar nosso objetivo”, acrescenta Annan com um certo otimismo que contrasta com a dura situação cotidiana que o rodeia.