O presidente da CHC, Marcelo Conde, informou nesta quinta-feira em entrevista coletiva que na obra hidrelétrica, localizada em Apawás, na região nicaraguense do Caribe Norte, serão investidos cerca de US$ 600 milhões.
Conde destacou que a Assembleia Nacional da Nicarágua – Parlamento do país, que é unicameral – aprovou na última quarta uma lei especial, enviada pelo Ministério das Minas e Energia local, para o desenvolvimento do projeto conhecido como Tumarín, por 87 votos a favor, nenhum contra e sem abstenções.
O executivo da CHC explicou que o projeto foi elaborado com base em acordos assinados em 2007 pelos Governos do Brasil e da Nicarágua.
“Com o respaldo que tivemos da Assembleia Nacional e do Governo da Nicarágua teremos um impacto positivo para obter o financiamento para concretizar o desenvolvimento do projeto (Tumarín)”, disse, por sua vez, o diretor para a América Central e o Caribe da CHC, Rogério Zanforlin.
A CHC é uma empresa criada pelo grupo brasileiro Queiroz Galvão e da qual por lei faz parte a Empresa Nacional de Transmissão de Eletricidade (Enatrel) da Nicarágua, para desenvolver o projeto Tumarín, disse Conde.
Está previsto que serão sócios da CHC a Eletrobrás, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Mundial (BM) e o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE).
Conde disse que também por lei, após uma concessão de 30 anos, a empresa mista CHC-Enatrel será transferida ao Estado nicaraguense, com base em um modelo de desenvolvimento brasileiro.
Para o desenvolvimento da obra será necessário deslocar de Apawás cerca de 1.500 pessoas que serão levadas a outras terras fronteiriças para a construção de um reservatório de cerca de 55 quilômetros quadrados, como parte da obra hidrelétrica.
Zanforlin, por sua vez, disse que a obra trará uma série de benefícios a esta “região esquecida” do território nicaraguense, com a construção de uma estrada de 48 quilômetros que unirá Tumarín a San Pedro del Norte, “eletrificação” da região e a regulação do Rio Grande de Matagalpa, que é muito “violento”.
Além disso, o projeto gerará cerca de três mil empregos diretos, economizará US$ 80 milhões em importações de petróleo e responderá por 23% da geração de energia hidrelétrica na Nicarágua.