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Embaixador iraniano acusa EUA de sabotar negociações nucleares

Diplomata critica Trump como ‘rei do mundo’ e destaca defesa firme do Irã após assassinato de Khamenei.

Redação Jornal de Brasília

02/03/2026 16h10

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou em coletiva de imprensa realizada na Embaixada iraniana em Brasília nesta segunda-feira (2) que os Estados Unidos não buscam um acordo nuclear genuíno com o Irã, utilizando as negociações como pretexto para promover a mudança de regime no país persa.

Nekounam criticou o presidente Donald Trump, afirmando que ele se considera o ‘rei do mundo’. O diplomata destacou que, apesar dos interesses de alguns países, o Irã busca sua independência há 47 anos. Ele mencionou que uma reunião de especialistas nucleares estava prevista para ocorrer em Viena, sob a égide da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas foi sabotada por Israel e EUA.

O embaixador relatou que Israel e os EUA lançaram uma agressão contra o Irã pela segunda vez em oito meses, em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico iraniano. Segundo analistas consultados pela Agência Brasil, a ação visa deter a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia de Israel no Oriente Médio. Tel Aviv e Washington justificam o ataque como preventivo, alegando que o Irã desenvolve armas nucleares, o que Teerã nega, sustentando que seu programa é pacífico.

Nekounam informou que o líder supremo Ali Khamenei foi assassinado no último sábado (28) e foi rapidamente substituído por um Conselho de Liderança Interino, nomeado pela Assembleia dos Especialistas, que mantém a defesa do país de forma contínua, firme e poderosa, sem interrupções na estrutura de poder.

O diplomata questionou a legitimidade dos EUA para ‘administrar o planeta’, citando o caso dos arquivos de Jeffrey Epstein, envolvendo elites políticas americanas, incluindo ligações com Trump, e abusos sexuais e tráfico de pessoas.

Em relação à posição do Brasil, Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores que condenou o uso da força por Israel e EUA, vendo-a como uma ação valorosa em defesa da soberania e integridade territorial.

O embaixador defendeu o direito do Irã de atacar bases militares inimigas em retaliação, esclarecendo que as ações visam alvos nos EUA e em centros israelenses, sem atacar territórios de países vizinhos, e que ataques atingiram bases americanas em nações como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.

No contexto histórico, os EUA abandonaram o acordo nuclear de 2015 durante o primeiro mandato de Trump. Ao assumir o segundo mandato em 2025, exigiu o desmantelamento não só do programa nuclear, mas também do balístico e o fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Um dia antes da agressão, o mediador omanense Badr bin Hamad Albusaidi informou que as negociações estavam próximas de um acordo, com o Irã concordando em não manter urânio enriquecido em níveis elevados.

Com informações da Agência Brasil

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