O embaixador dos EUA no Afeganistão, Karl Eikenberry, disse estar preocupado perante uma decisão de aumentar as tropas nesse país sem o compromisso do presidente Hamid Karzai de combater os problemas de corrupção e administração que alimentam a insurgência talibã.
A inquietação do representante diplomático foi revelada hoje pelo site do jornal The Washington Post, que indicou que a mesma foi dada a conhecer em duas mensagens que enviou a Washington antes que o presidente Barack Obama se reunisse hoje com sua equipe de segurança nacional para considerar a estratégia no Afeganistão.
A reunião de mais alto nível aconteceu a portas fechadas e ainda não se divulgou qualquer detalhe.
Mesmo assim, o chefe do Comando Conjunto Central dos Estados Unidos, o general David Petraeus, disse antes do início do encontro que a decisão se anunciará em breve.
“Estamos nos aproximando de uma decisão neste importante tema”, indicou o general, que participou da reunião.
A estratégia sob estudo inclui quatro opções de aumentos de tropas acima das 68 mil atualmente desdobradas nesse país.
Segundo as fontes citadas pelo jornal, Eikenberry mantém reservas sobre a decisão do Governo afegão de lutar contra a corrupção, sobretudo nos níveis mais altos da administração liderada por Karzai.
Eikenberry também se manifestou frustrado pela lentidão com que se alocaram os fundos para o desenvolvimento e a reconstrução do Afeganistão, um país arrasado por três décadas de conflitos.
Além disso, o embaixador indicou que lhe preocupa que o aumento de tropas aprofunde a dependência do Governo afegão no apoio americano em momentos em que deveriam ser as tropas afegãs as que assumam uma maior responsabilidade no combate.
As dúvidas do embaixador se contrapõem à solicitação do general Stanley McChrystal, comandante das forças internacionais no Afeganistão, que disse que a intervenção militar corre o perigo de terminar em um fracasso se não se somam milhares de tropas no próximo ano.
Segundo o jornal, os comentários de Eikenberry, um ex-comandante das tropas americanas no Afeganistão, poderiam ter peso na decisão sobre o contingente militar nesse país.
Eikenberry, que assumiu o cargo de embaixador este ano após aposentar-se do serviço ativo como general na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tinha se mantido à margem até agora dos temas militares.
Segundo o jornal da capital americana, o forte tom das mensagens de Eikenberry causou surpresa entre os funcionários do Governo de Obama, que são partidários de aumentar o contingente militar.