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Embaixador diz que ameaça da França ao Uruguai foi em nome do G20

Arquivo Geral

07/11/2011 16h54

O embaixador francês em Montevidéu, Jean-Christophe Potton, afirmou nesta segunda-feira (7) que o presidente de seu país, Nicolas Sarkozy, falou em nome do G20 quando advertiu o Uruguai e outros dez países para a possibilidade de serem isolados da comunidade internacional por serem considerados paraísos fiscais.

“Estamos escutando e tratando de explicar o que é a posição, não francesa, mas do G20, e tentando dar a melhor resposta possível”, afirmou o diplomata à rádio “El Espectador”.

O embaixador indicou que o comentário realizado por Sarkozy na cúpula do G20 em Cannes não foi uma referência exclusiva ao Uruguai, foi uma referência a todos os países que integram uma lista emitida no final de outubro pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre política fiscal.

Com essa lista, a OCDE acusou o Uruguai, Panamá, Antígua e Barbuda, Barbados, Brunei, Botsuana, as Seychelles, Trinidad e Tobago, e Vanuatu de não aplicar o primeiro filtro fixado pelo Fórum Global sobre a Transparência Fiscal.

Segundo Potton, o Uruguai “tem uma política muito ativa neste âmbito e fez muitos progressos nos últimos anos” e, por isso, acredita que vai sair muito rápido desta lista.

“Temos com o Uruguai, do ponto de vista fiscal, relações normais, assinamos no ano passado um tratado de troca de informações fiscais e sabemos que o país tem um convênio fiscal de alto nível com a Alemanha, que é o primeiro parceiro da França”, acrescentou.

Potton, que nesta segunda-feira compareceu à Chancelaria uruguaia para explicar as declarações realizadas nesse dia por Sarkozy, disse que está “às ordens” do ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, para qualquer novo contato.

O diplomata admitiu que a decisão do governo uruguaio de chamar seu embaixador para consultas em Paris por conta deste assunto é “um sinal muito forte” e, embora tenha revelado que ainda não há uma resposta formal de Paris, não descartou nenhuma possibilidade.

“Espero permanecer aqui, mas não depende só de mim”, argumentou.

O embaixador reconheceu que existe “um incidente” diplomático entre os dois países, mas reiterou que Sarkozy falou, “não em nome da França, mas do G20”.

Nesta segunda-feira, o vice-chanceler uruguaio, Roberto Conde, afirmou ao “Espectador” que o episódio causou “um incidente diplomático sério” e criticou o presidente francês por não utilizar o canal adequado para se expressar sobre o Uruguai.

Conde opinou que Sarkozy mostrou “ignorância sobre a realidade” do Uruguai e o acusou de lançar “uma ameaça absolutamente intolerável”.

Além disso, afirmou que embora não haja informações de que a Argentina e Brasil, parceiros do Uruguai no Mercosul e membros do G20, tenham pressionado para que a declaração fosse feita pelo líder francês, “utilizam” essa colocação “para dizer ao Uruguai que se sente à mesa para discutir”.

Em mais de uma ocasião, a Argentina incluiu o Uruguai em listas próprias de paraísos fiscais, uma classificação compartilhada por alguns setores no Brasil.

A esse respeito, Potton manifestou que “Argentina e Brasil, como membros do G20, participam completamente da política do G20 contra a evasão fiscal”, um fenômeno “muito injusto” porque “permite a uma parte muito pequena da população, os mais ricos, poder escapar mais facilmente dos impostos”.

O presidente do Uruguai, José Mujica, está reunido nesta segunda-feira com seu Conselho de Ministros para analisar os novos passos a seguir após o comentário de Sarkozy, que também gerou uma forte rejeição no Panamá.

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