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Mundo

Em Paris, Macron reitera apoio à Dinamarca contra Trump e cumprimenta líderes em groenlandês

O encontro serviu mais para demonstrar que os europeus continuam vigilantes em relação à cobiça americana

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 17h56

macron e matte frederiksen1

Foto: Thomas Padilla/AP

ANDRÉ FONTENELLE
FOLHAPRESS

Completando duas semanas usando óculos escuros devido a um sangramento ocular, Emmanuel Macron caprichou no groenlandês para saudar a visita do primeiro-ministro do território autônomo, Jens Frederik Nielsen, e da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

“A Groenlândia não será vendida nem tomada. Os groenlandeses decidirão seu próprio futuro”, disse o presidente da França, arrancando sorrisos de Nielsen e Frederiksen, na tarde desta quarta-feira (28) no Palácio do Eliseu.

Em seguida, em dinamarquês, Macron expressou sua solidariedade com os dinamarqueses diante da ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de se apossar da ilha: “A França continuará engajada ao lado da Dinamarca.”

O encontro serviu mais para demonstrar que os europeus continuam vigilantes em relação à cobiça americana. Macron confirmou que, no início de fevereiro, chega a Nuuk o diplomata Jean-Noël Poirier para cuidar da instalação de um consulado francês na capital da Groenlândia.

Frederiksen citou a letra de uma canção do grupo francês de música eletrônica Daft Punk para resumir a posição dinamarquesa em relação à reação europeia à crise: “Trabalhe mais duro, faça melhor, faça mais rápido.”

A primeira-ministra reiterou o que já afirmara em outras ocasiões: “A ordem mundial, tal como a conhecemos, está sob pressão, mudando rapidamente, e talvez tenha acabado.”

Nielsen agradeceu à França pelo apoio e ressaltou que não se trata apenas da defesa de sua ilha, mas da democracia. “Vocês ficaram do nosso lado em uma situação extremamente difícil. Não nos esqueceremos”, afirmou.

Na manhã desta quarta, antes do almoço com Macron, Frederiksen e Nielsen responderam a perguntas de estudantes em Sciences Po, principal faculdade de ciência política da França.

Em resposta a uma pergunta sobre a declaração do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, duvidando da capacidade europeia de se defender sem a aliança militar ocidental, a líder dinamarquesa reconheceu que seria “extremamente difícil” nas condições atuais.

Segundo Frederiksen, o rearmamento da Europa é “a coisa mais importante” para o continente no momento. Para ela, porém, a meta de aumentar a 3,5% do Produto Interno Bruto os gastos militares em todos os países europeus da aliança precisa ser atingido antes de 2035. “Lamento dizer que seria tarde demais”, avaliou.

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