O Governo e a oposição do Quênia deram início hoje ao segundo dia de negociações para tentar pôr fim à crise que castiga o país, this web depois de mais uma jornada de conflitos que resultou na morte de pelo menos 16 pessoas, thumb entre elas um deputado da oposição.
O ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan conseguiu reunir mais uma vez o presidente queniano, Mwai Kibaki, e o líder do oposicionista Movimento Democrático Laranja (ODM, em inglês), Raila Odinga, desta vez na Prefeitura de Nairóbi (a capital do país).
Annan, Kibaki e Odinga presidiram conjuntamente a cerimônia de abertura das negociações entre o Executivo e a oposição, que pretende acabar com a crise vivida pelo Quênia desde o anúncio, em 27 de dezembro, do resultado das eleições presidenciais, classificadas pela oposição como “fraudulentas”.
Annan declarou que tanto o Governo quanto a oposição “devem encontrar soluções a curto prazo para deter imediatamente a onda de violência que se espalha pelo país, e planos a médio e longo prazos para recuperarem a normalidade institucional”. Odinga, por sua vez, afirmou que “nada justifica a morte de inocentes”.
O líder da oposição disse que o ODM está “negociando com o Partido da União Nacional (PNU, em inglês, liderado por Kibaki), e não com o Governo”. O ODM não reconhece a Presidência de Kibaki nem a legitimidade de sua administração, e denuncia há um mês a fraude das eleições por parte dos seguidores do Governo.
Kibaki disse que seu Governo é “legítimo” e que tinha destinado um cheque de 700 milhões de xelins (US$ 1 milhão), para “reconstruir os lares dos desabrigados que se amontoam nas delegacias de Polícia do oeste do Quênia”.
As Nações Unidas estimam que mais de 250 mil pessoas foram desalojadas, e a grande maioria não quer voltar às suas casas que abandonaram há três semanas, quando explodiram os incidentes violentos.
Kibaki, Odinga e Annan expressaram sua preocupação com os prejuízos causados pelos distúrbios à economia nacional. Na cerimônia, os políticos quenianos fizeram uma homenagem à memória de Melitus Were, deputado do ODM assassinado na madrugada de terça-feira, com um minuto de silêncio.
Were foi baleado na frente de casa por duas pessoas depois da meia-noite. O parlamentar chegou morto ao hospital, com um tiro no olho e outro no peito. A Polícia disse não saber o motivo do assassinato, mas o ODM afirma que se trata de um acerto de contas político.
Pela primeira vez desde o início da crise, os habitantes da favela de Kibera (a maior do Quênia) atiraram contra dois jornalistas que trabalham para meios de comunicação do país para roubar seus equipamentos, mas ambos saíram ilesos.
Enquanto isso, em Eldoret, no oeste do país, outras nove pessoas morreram, elevando para mais de 800 o número de vítimas do conflito político que assola o país há três semanas.